PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 30 (AE) - A professora Lílian do Rosário Trindade
da Fundação Pestalozzi do Pará, teria deixado Belém, hoje, após tomar conhecimento que o delegado da Polícia Civil Rui Romão havia requerido sua prisão preventiva à Justiça. Lílian Trindade foi acusada por vizinhos de agredir, com um martelo e pedaço de madeira, a doente mental Valdenice Silva dos Santos, de 29 anos, sua aluna. O segurança Roberto Carlos Barbosa Trindade, marido da professora, continua preso na Delegacia de Icoaraci.
O segurança disse que bateu na vítima apenas uma vez porque ela havia "roubado" uma flanela e também por "mentir muito". Hoje pela manhã, na polícia, Valdenice contou que o segurança batia nela com um cinturão, enquanto a professora desferia marteladas em suas costas, além de golpear seus braços, pernas e cabeça com uma ripa. "As surras eram constantes", afirma a vizinha Claudemira Marques.
A vítima disse que desde julho passado morava na casa de sua professora, a convite dela. "Eu fazia serviços domésticos, mas eles me batiam sem nenhum motivo", afirmou. Valdenice, segundo outros professores da Fundação Pestalozzi, é deficiente mental, o que a leva a sair de casa sem nada dizer a ninguém e retornar sem maiores explicações. Ela estava há uma semana sem aparecer na escola.
O delegado informou que vai chamar para depor o pai da moça, Osvaldo Santos, de 68 anos. "Se ele não explicar direito porque deixou a filha morando com a professora, vou enquadrá-lo por abandono material de incapaz".


