Rio, 30 (AE) - O auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, acusado de assassinar quatro pacientes no Hospital Municipal Salgado Filho, se contradisse hoje ao depor na Câmara dos Vereadores do Rio. Guimarães disse ter chamado um médico para atestar duas mortes, na noite de 7 de maio, mas que o aparelho respirador dos pacientes ainda oscilava.
"Se havia oscilação é porque os pacientes ainda respiravam quando ele assumiu o plantão", afirmou o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a chamada "máfia das funerárias", vereador João Cabral (PT do B). Guimarães já estava sob suspeita e foi preso depois da morte desses dois pacientes.
Na ocasião ele disse que matava doentes em estado terminal com injeções de cloreto de potássio ou retirando a máscara de oxigênio. Guimarães passou a negar as mortes quando contratou o advogado Arisnaldo Paiva. O auxiliar de enfermagem reafirmou hoje aos vereadores que confessou as mortes porque foi ameaçado por policiais civil, quando preso em maio.
"Eu estava acuado, traumatizado", alegou o auxiliar, que chegou a ser acusado de mais de 100 assassinatos para favorecer funerárias que atuariam dentro do hospital. Ele acusou os policiais civis identificados como César e Sílvio pelas agressões."Ele em momento nenhum ficou sozinho e não poderia ter sido agredido", afirmou o presidente da CPI.
O primeiro advogado do auxiliar de enfermagem, Eduardo Petti, defendia a tese de que Guimarães sofria de distúrbios mentais e chegou a afirmar, em entrevisa, que seu cliente não havia sofrido maus-tratos. "Eu não sou louco, não sou um monstro; levei socos e tapinhas ameaçadores nas costas para confessar", disse Guimarães, que se recusa a fazer exames psicológicos.
Máfia - O auxiliar de enfermagem demonstrou nervosismo quando os vereadores exibiram uma fita de vídeo em que ele confessava as mortes, em entrevista. Com as mãos trêmulas, confirmou a existência de um esquema dentro do Salgado Filho, que beneficiaria funerárias, mas não quis revelar detalhes. "Não posso falar enquanto estiver preso", disse aos repórteres. O advogado Paiva disse que também tem uma fita de vídeo para mostrar em "momento oportuno".
Nos próximos dias os vereadores vão tomar o depoimento do diretor do Hospital Salgado Filho, Flávio Adolpho Silveira, e de parentes de pacientes mortos no hospital procurados por Guimarães, que oferecia serviços funerários. A CPI aguarda ainda a quebra do sigilo bancário do auxiliar de enfermagem.

mockup