Porto Alegre, 29 (AE) - O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann, criticou hoje a orientação dada pela Monsanto a vereadores de municípios do interior do Estado que estão aprovando leis liberando o plantio de transgênicos. "A Monsanto está prestando uma consultoria em favor da ilegalidade", disse o secretário. O vereador Luís Carlos Cordeiro (PSDB), de Redentora, obteve na assessoria da empresa os dados que deram suporte a seu projeto de liberação de transgênicos no município.
Procurada pela reportagem, a Monsanto informou em comunicado, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que "nega o envolvimento no assunto e não vai fazer qualquer comentário adicional".
"A Monsanto está insuflando por fora numa visível tentativa de fazer com que a lei federal não valha; isso é inaceitável", afirmou Hoffmann. De acordo com o secretário, os produtores que tiverem suas lavouras transgênicas destruídas pela Polícia Federal deverão buscar indenização na multinacional
que os estaria "induzindo" a cometer uma "ilegalidade". "Não estamos brincando", alertou.
Segundo Hoffmann, na próxima semana a Secretaria da Agricultura receberá cerca de 20 kits para identificação de plantas geneticamente modificadas que serão utilizados para fiscalização nas propriedades. "Alguma coisa vai acontecer com aqueles que estiverem praticando irregularidades", afirmou. Em meados de outubro começa o plantio de soja no Estado e conforme estimativas da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasen), cerca de 1 milhão de hectares (um terço da área total) deverão ser semeados com produto transgênicos contrabandeados da Argentina.
Representação - O secretário informou que até amanhã (01) entará com representação no Ministério Público Federal contra os municípios que já aprovaram lei liberando o plantio de produtos geneticamente modificados (Cruz Alta, Jóia, Tupanciretã
Redentora e Não-Me-Toque). "Em primeiro lugar o objetivo é acabar com esta ilegalidade", explicou Hoffmann. Ele também pretende dar um basta na "bola de neve" criada pela Monsanto para que "cada vez mais municípios façam o mesmo".

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