Washington, 21 (AE) - O presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, manifestou hoje (21) a sua preocupação com a falta de vontade política dos países emergentes para continuar as reformas, agora que superaram a pior parte da crise econômica.
Sem essas mudanças, alertou, será impossível enfrentar a pobreza e a desigualdade social (que ele considera ser o principal problema da América Latina) nos próximos 25 anos.
"Daqui a 25 anos teremos oito bilhões de pessoas no planeta"
disse Wolfensohn. "Se não fizermos algo teremos 4 bilhões vivendo com menos de US$ 2,00 por dia e outros 2 bilhões em condições de extrema pobreza (com uma renda diária de no máximo US$ 1,00)", acrescentou.
Na América Latina, disse Wolfensohn, "a renda per capita tem sido alta" ( a do Brasil, por exemplo, foi de US$ 6 mil em 1998). O problema, segundo ele, é a "enorme desigualdade" entre ricos, que ficam com a maior parte deste dinheiro, e o número cada vez maior de pobres.
De 1987 a 1993, a porcentagem de latino-americanos vivendo com menos de US$ 1 ao dia aumentou de 22% para 23,5%.
Com a crise financeira - que começou na ásia em 1997, atingiu a Rússia no ano seguinte, e culminou com a desvalorização do real em janeiro passado - as diferenças sociais aumentaram. "As pessoas que são machucadas, numa crise, são os pobres", disse Wolfensohn. Por isso, explicou, o Bird quer apoiar governos de países como Brasil e Argentina a "lidarem com a desigualdade que é a questão principal na América Latina", disse.
Mas os empréstimos do Bird, para financiar programas sociais, não bastam. Segundo Wolfensohn, os países emergentes só resolverão problemas de igualdade quando completarem "reformas fundamentais em seus sistemas legais, judiciais e de supervisão financeira", além de "fortalecerem o governo", treinando seus funcionários e melhorando seus salários.
O problema, disse Wolfensohn, é que os países só se empenham para realizar reformas quando estão em plena crise. "Quando as coisas começam a ficar rosadas, as pessoas voltam a se comportar como antes", explicou. "As forças estabelecidas, numa soceidade, sentem menos pressão para mudar" e "como as pessoas pobres nunca tiveram muita voz" existe o risco de paralisação, disse Wolfensohn.
Mas o presidente do Banco Mundial também culpou os países ricos pela crescente pobreza. O desafio do próximo milênio, disse ele, será convencer os desenvolvidos que a miséria é um problema de todos, e não apenas de alguns. "Nos países industrializados, a pobreza é considerado um assunto marginal", disse. Mas apesar de afetar todos (porque afeta mercados financeiros, criminalidade, saúde e ambiente), a pobreza "não aparece nas campanhas políticas internas", acrescentou.
Wolfensohn criticou os Congressos dos países ricos por negarem apoio às instituições financeiras internacionais num momento em que reduzir a pobreza deveria ser uma preocupação mundial.
Os industrializados - acrescentou - também deveriam abrir mais seus mercados para os mais pobres. Sem essa abertura, garantiu, não haverá desenvolvimento. E esse deverá ser o tema da próxima reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC), que começa em novembro em Seattle, Estados Unidos.





