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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 21 (AE) - Temor e preocupação pelo futuro da Argentina no Mercosul. Este foi o tom das declarações de deputados e senadores argentinos da Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, que hoje (21) ao meio-dia reuniram-se para analisar a decisão de complicar a entrada de 400 produtos argentinos no mercado brasileiro.
Além disso, foram discutidos os conflitos comerciais pendentes dos calçados, aços, têxteis e papel.
Como nunca em crises anteriores, a percepção dos parlamentares era de que o governo argentino havia ido longe demais em ceder às pressões de pequenos setores empresariais, causando a ira do Brasil.
"A Argentina não vai retaliar as medidas brasileiras", afirmaram os parlamentares em declarações à imprensa após a reunião. Eles também ratificaram a necessidade estratégica que a Argentina tem do Mercosul, além de dar pleno apoio a acordos setoriais.
Os parlamentares afirmaram que têm a intenção de que o bloco comercial esteja unido para as negociações da virada do ano 2000. Eles anunciaram que pretendem realizar um encontro em breve com os integrantes brasileiros da comissão brasileira do Mercosul para encontrar saídas para a situação de tensão.
Participaram da reunião o secretário de Relações Econômicas Internacionais Jorge Campbell; o secretário da Indústria e Comércio, Alieto Guadagni, e o sub-secretário de Comércio Exterior Félix Peña.
Sem poder expressar uma posição oficial do governo sobre a decisão brasileira de complicar a entrada de 400 produtos argentinos no Brasil, ao fim do encontro os três esquivaram-se da imprensa.
O deputado do partido peronista, Jorge Remes Lenicov, declarou que esta crise demonstrou que o Mercosul precisa avançar na institucionalização do bloco comercial e na coordenação das macro-economias como forma de evitar futuras crises.
Lenicov destacou a necessidade de que o conflito dos calçados se resolva, para que sirva de exemplo para os outros conflitos pendentes. O deputado e economista afirmou que espera que a reunião entre os presidentes FHC e Carlos Menem nos dias 12 e 13 de outubro sirva para "apaziguar" a crise.
O anúncio do Secretário para Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior, José Alfredo Graça Lima, de que determinados produtos argentinos que sofrerão monitoramento e reciprocidade aumentou a preocupação nos parlamentares.
"Nós não queremos tomar posse no dia 10 de dezembro e ver que não temos um Mercosul para participar. As mancadas do governo Menem nos levaram a esta situação de impasse", afirmou um dos integrantes da oposição que não quis ser identificado. Ele também criticou a postura do governo local. "Há funcionários que minimizaram a crise."
Os produtos atingidos são: material de transporte, incluindo auto-peças, têxteis, plásticos, produtos químicos e elétricos, papel e celulose.
A coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso, favorita para as eleições presidenciais de outubro, está tentando garantir ao governo brasileiro que com eles no poder a relação não passará pelas turbulências que têm marcado os últimos meses do governo do presidente Carlos Menem. "Queremos que em dezembro ainda existam condições políticas para o diálogo", disse preocupado o deputado Carlos Raimundi.
Segundo o deputado, com as medidas protecionistas tomadas recentemente pela Argentina existe o risco de"atravancar a economia do país. Estamos voltando para trás". Raimundi afirmou que o Brasil e a Argentina "são dois países pobres que não podem estar tentando conquistar pedacinhos do mercado interno do outro. É errado. Temos que pensar nos mercados externos".
Nos últimos dias, diversas visitas de integrantes da oposição à embaixada do Brasil na Argentina tiveram essa intenção. Um dos visitantes, o deputado Marcelo Stubrin, cotado para ocupar o cargo de chanceler, reuniu-se hoje com o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Sebastião do Rego Barros, antes da reunião parlamentar.
Segundo o embaixador, ele e Stubrin trocaram "idéias e preocupações" e analisaram as formas de contribuir para encontrar soluções. O embaixador definiu a reunião como "muito positiva".


