Taipé, 21 (AE-AP) - O terremoto que sacudiu Taiwan na madrugada de terça-feira causou mais de 1.700 mortes, obrigando equipes de resgate a trabalhar dia e noite para salvar sobreviventes presos nas ruínas de prédios destruídos.
Mais de 100.000 taiwaneses ficaram desabrigado depois que o tremor derrubou casas e altos complexos de apartamentos no centro de Taiwan. Estradas foram danificadas, pedaços de terra criaram novos montes e uma ponte ficou suspensa no ar.
Foi o mais mortal terremoto deste século em Taiwan, com seu número de mortos já ultrapassando a metade das vítimas fatais de um abalo em 1935 - e aumentando durante a noite.
Na manhã desta quarta-feira (horário local), autoridades informavam sobre 1.712 mortos, mais de 4.000 feridos e cerca de 3.000 pessoas supostamente presas nos escombros. Outras 216 pessoas estavam desaparecidas, segundo o centro de gerenciamento de desastres do Ministério do Interior.
"Estamos retirando os mortos um após o outro, mas é difícil passar um quadro abrangente do número de vítimas fatais", disse Chen Wen- hsien, de uma equipe de resgate na cidade central de Fengyuan, a cerca de 50 quilômetros do local onde foi registrado o epicentro do terremoto.
Funcionários do Instituto de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos informaram que o terremoto teve magnitude preliminar de 7,6 graus na escala Richter, intensidade semelhante à do tremor que atingiu a Turquia em 17 de agosto e causou a morte de mais de 15.000 pessoas. Apesar disso, sismologistas taiwaneses informaram que a magnitude inicial foi de 7,3 graus.
O tremor espalhou destruição por uma vasta área, mas os danos pareciam menores do que os provocados pelo terremoto na Turquia.
A Agência Central de Meteorologia informou que o epicentro foi registrado no condado de Nantou, cerca de 200 quilômetros ao sul da capital Taipé.
Em Tungshih, uma cidade de cerca de 60,000 habitantes em uma região montanhosa no condado de Taichung, quase todas as casas foram danificadas e uma em cada três estava em ruínas. Também houve falta de energia, água e o corte das ligações com o exterior.
Equipes de resgate, usando cães farejadores, equipamentos eletrônicos, grandes guindastes e escavadeiras mecânicas, trabalham sem cessar.
"É uma luta contra o tempo", ressaltou o operador de uma escavadeira, requisitado com desespero por uma mulher que apontava para o monte de entulho em que se transformou o Sungshan Hotel, em Taipé.
Apenas quatro de seus 12 andares permaneceram em pé, mas perigosamente inclinados num ângulo de 45 graus. "Minha filha ficou presa ali, salve-a", gritava a mulher.
Havia 170 hóspedes registrados. Cento e três foram resgatados, dos quais 50 hospitalizados com ferimentos graves - dois morreram nas ambulâncias - e 67 permanecem soterrados.
O terremoto ocorreu à 1h47, quando a maioria dos 22 milhões de habitantes de Taiwan dormia. Milhares de desabrigados estão vivendo agora em barracas armadas em parques municipais. O fornecimento de energia elétrica e água potável é precário. Os semáforos não funcionam, congestionando o trânsito.
O medo ainda toma conta da população. Os sismólogos registraram pelo menos mil abalos secundários hoje em toda a ilha. E a previsão do tempo é assustadora. Um furacão com ventos superiores a 150 quilômetros, acompanhados de chuvas torrenciais, aproximava-se de Taiwan no final da noite. A única coisa agradável era a temperatura: 25 graus.
Além de derrubar centenas de prédios e casas, o terremoto provou focos de incêndio nas cidades e na zona rural. Em muitas áreas da capital, ainda não haviam sido totalmente debelados - pelo menos até o final da noite. Era o caso de um prédio de apartamentos de dez andares da rua Pei Tak, que ruiu parcialmente. Setenta pessoas ficaram soterradas. Dezenas de parentes das vítimas não deixam o local. Muitos ajudam as equipes de socorro, removendo com as mãos tijolos e pedaços de concreto.
A televisão mostra a todo instante cenas de desespero, entremeadas com apelos para a doação de sangue, medicamentos, alimentos e cobertores.
O funcionalismo público de Taiwan vai contribuir com parte de seus vencimentos. As contribuições, segundo Miguel Fan, da Divisão de Informações do Escritório Econômico e Cultural de Taipé, em São Paulo, variam de um dia a uma semana de trabalho.
Os empresários também prometeram ajuda. Os prejuízos elevam-se a US$ 3,5 bilhões, segundo estimativas do Taipei United Evening News.
O presidente Li Feng-hui seguiu para a região de Taichung e o vice Lien Chan viajou para Nantou. Essas duas cidades, localizadas ao sul de Taipé, próximas do centro da ilha, foram as mais afetadas.
O terremoto desta terça-feira foi o mais mortal em Taiwan desde que um tremor de 7,4 graus na escala Richter deixou 3.276 mortos em 1935.

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