Washington, 22 (AE) - Sete anos depois de ter liderado dois golpes militares e sete meses depois de ter finalmente conquistado o poder pelo voto, o ex-tentente-coronel e atual presidente da Venezuela, Hugo Chavéz, desembarcou nos Estados Unidos com um único objetivo: convencer o mundo que seu governo é e continuará sendo democrático. Muito mais - insiste ele - do que os anteriores.
"Diziam que a Venezuela era um modelo de democracia nos anos 60 e 70, quando outros países da América Latina eram governados por ditaduras", disse Chávez hoje (22) no centro acadêmico Inter- American Dialogue, em Washington. "Era uma grande mentira", acrescentou. E citou, sem dar nomes, as proezas de seus antecessores - especialmente Carlos Andrés Perez.
"Houve presidentes que viviam com suas amantes no palácio presidencial, enquanto suas mulheres ficavam em casa", lembrou Chávez.
"E houve um presidente que saiu multimilionário do poder, foi perdoado pelo Congresso por um voto, e dez anos depois foi novamente eleito presidente para poder continuar roubando".
Chávez iniciou sua campanha de marketing nos EUA na semana em que líderes do mundo inteiro, ministros e investidores internacionais estão em Nova York, para a Assembléia-Geral das Nações Unidas, e em Washington, para a reunião anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.
Hoje, no Inter-American Dialogue, um Chávez sorridente, acompanhado de sua esposa Marisabel, contou como herdou um país rico em petróleo, mas endividado e destruído pela corrupção. "Eu digo que todos os venezuelanos com mais de 40 anos - e eu me incluo, porque tenho 45 - têm alguma culpa", disse. "Minha mulher também tem algo de culpa", acrescentou. Mas logo se corrigiu, arrancando risadas da platéia. "Ela diz que não tem 40 ainda".
Foi com charme, que Chávez também tentou dissipar o medo de muitos: que a Assembléia Constituinte, eleita em agosto para reestruturar as instituições do país até fevereiro e acabar com a corrupção, tenha concentrado demasiados poderes. Todos os constituintes - com exceção de meia dúzia - são aliados de Chávez e podem dissolver o Congresso e a Justiça.
Coube a Peter Hakim, presidente do Inter-American Dialogue, perguntar quais as intenções de Chávez, agora que eliminara a oposição.
"Mesmo que construam um excelente estádio, para haver um jogo de beisebol é preciso haver dois times - mas não estamos vendo o time que competirá com o seu", disse Hakim.
Chavez respondeu com outro exemplo esportivo. "Um boxeador bate no outro até ele cair, mas não pisa nele quando ele está no chão - espera que se levante, vá para o canto do ringue, respire e volte", explicou.
Os partidos de oposição, disse Chávez, não morreram. "Estão num canto, recuperando o fôlego e treinando, para lutar melhor".
Nos EUA, assim como nos países vizinhos, também existe o medo de que as expectativas dos venezuelanos sejam altas demais e que Chávez perderá popularidade e controle da situação se não resolver logo problemas como o desemprego. Citando Jesus Cristo, Chávez respondeu: "Nem só de pão vive o homem". Segundo ele, o que hoje alimenta os venezuelanos é o otimismo.





