Paris, 22 (AE) - Horas antes de desembarcar na França para uma visita definida apenas como de "cortesia e amizade" e encontros com o presidente Jacques Chirac e o primeiro-ministro Lionel Jospin, o líder israelense Ehud Barak enviou um recado claro ao país: não vai aceitar nenhuma iniciativa de mediação européia no processo de paz no Oriente Médio.
A primeira visita de Barak à Europa tem apenas por objetivo melhorar as relações políticas de seu país, cuja imagem ficou desgastada durante o governo de seu antecessor, Benjamin Netanyahu.
Ao desembarcar, Barak não poderia ter sido mais transparente: "Não há nenhuma razão para que os europeus dêem sugestões sobre o processo de paz. Ninguém vai obrigar-me a assumir posições contrárias à nossa segurança."
A mensagem foi dirigida a Chirac, que tem procurado reposicionar a França no processo de paz, principalmente tentando aproximar Israel da Síria. A França tem manifestado seu desejo de voltar a ter um papel importante nas conversações em que os americanos predominam, mas Israel não parece ceder espaço. Os franceses, segundo os israelenses, sempre foram suspeitos de manter uma posição pró-arabe nessas negociações.
Após o encontro, Chirac se declarou "muito impressionado" com a determinação do israelense em alcançar a paz rapidamente, estabelecendo o prazo de um ano para chegar lá. Por sua vez, Barak respondeu diplomaticamente sobre o eventual papel da França nesse processo, dizendo estar convencido de que Paris terá "uma influência de boa vontade sobre a parte sírio-libanesa".
Antes de Barak, Chirac havia recebido, no sábado, o embaixador da Síria em Paris - com uma mensagem do presidente sírio, Hafez Assad, na qual elucidava sua posição e as condições para a evolução favorável do processo de aproximação com os israelenses. Neste sábado, Chirac e Jospin devem receber a visita do líder palestino, Yasser Arafat, o que revela a insistência diplomática francesa em participar do processo.
Barak repetiu a Chirac o que já havia dito ao chanceler alemão, Gerhard Schroeder: Israel está disposto a mostrar flexibilidade nas negociações, mas "as soluções devem partir das partes envolvidas e não do restante do mundo".
Na Alemanha, Barak visitou com Schroeder o campo de concentração de Sachsenhausen, em Berlim. Barak foi ao local acompanhado de três sobreviventes do campo e seus netos - todos moradores de Israel.





