Assunção, 22 (AE-ANSA) - As declarações do general da reserva Lino César Oviedo, 55 anos, ao jornal argentino La Nación, causaram inquietação hoje nos círculos políticos de Assunção, no Paraguai. O Ministério das Relações Exteriores declarou que a opinião de Oviedo, de que o atual governo paraguaio é "ilegítimo", é "muito séria". O chanceler José Fernández disse em Nova York, à rádio paraguaia Cardinal, que pode discutir a questão hoje com os chanceleres do Mercosul.
Para Fernández, "o governo argentino embarcou na onda de um senhor que não respeita regras". O presidente interino do país e titular do Congresso, Juan Carlos Galaverna, que substitui Luis González Macchi, também em Nova York para a assembléia-geral da ONU, lembrou que Oviedo continua atuando na política e viola as normas de asilo político.
Para o senador Luis Alberto Mauro, presidente da Comissão Bicameral de Investigação de Crimes, as declarações do ex-general golpista "violam claramente as leis a que um exilado deve submeter-se". O deputado Angel Barchini, do Partido Colorado, foi mais longe: "Se Menem não fosse presidente da Argentina, Oviedo já teria sido expulso". Para Barchini, Oviedo quer desprestigiar o Paraguai, o governo, a Justiça e, desta forma, "livrar-se da pena que tem de cumprir". Oviedo é acusado de ser um dos autores intelectuais do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña. Sobre ele pesa ainda uma condenação de dez anos de cadeia pela tentativa de golpe militar em 1996.
No último dia 4 de setembro, o governo da Argentina negou o pedido de extradição do general da reserva, apresentado por Assunção. A negativa estremeceu a relação diplomática entre os dois países. Hoje, o ministro do Interior da Argentina, Carlos Corach, não quis comentar as declarações de Oviedo ao La Nación. Disse ainda que pedirá a íntegra da entrevista à redação do jornal argentino para análise.





