Washington, 22 (AE) - O rápido crescimento do mercado de ações nos países desenvolvidos preocupa o Fundo Monetário Internacional. O Panorama Econômico Mundial, divulgado hoje em Washington, dedicou 16 páginas ao tema. Nos Estados Unidos, o exemplo mais notável do problema, o valor de mercado das ações (o número das ações multiplicado pelo seu preço na bolsa) alcançou US$ 12 trilhões, superando em 40% o valor do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano. O estudo do FMI mostra, porém, que as autoridades dispõem de mecanismos de controle muito mais eficientes do que no passado para evitar que um crash (uma grande queda) tenha consequências nefastas sobre a economia.
O melhor exemplo disso está na comparação entre o crash de 1929 e o de 1987. Em 1929, um terço do PIB desapareceu no espaço de cinco anos, entre setembro de 1928 e 1933; em 1987, o PIB foi pouco atingido, continuando a crescer. Com a alta dos preços dos ativos - tais como as ações -, as pessoas tendem a ampliar suas despesas de consumo e de investimento com base no aumento da riqueza acionária. A questão está no que poderá ocorrer se houver uma queda abrupta nos preços dos ativos.
Conforme a análise publicada pelo Panorama Econômico Mundial, duas situações podem ocorrer. Na primeira, se houver um crash, "não há dúvida de que os bancos centrais reagirão à queda dos preços dos ativos oferecendo a liquidez necessária". Na segunda, a preocupação é contrária: o que fazer se os preços continuam a subir, como tem ocorrido nos últimos meses - embora não nos últimos dias? A preocupação é que a continuação da alta aumenta as perspectivas de um crash. As soluções passam por definições técnicas e políticas, argumenta o estudo.
Tecnicamente, é difícil prever em que momento uma alta do valor dos ativos está justificada por mudanças estruturais na economia - aumento da produtividade, por exemplo, e novos meios de produção, mais eficientes. Politicamente, os bancos centrais devem manter a estabilidade dos preços, mas não têm mandato para ir contra as tendências do mercado. Sua alternativa é esperar até que surjam pressões inflacionárias para agir.
Nos Estados Unidos, há sinais de que os preços dos ativos estão em plena alta. Propriedades da classe média alta na região de Connecticut, ao norte de Nova York, são tão disputadas que os seus donos obrigam os interessados a participar de leilão
não apenas para venda, mas até para locações. É o que também ocorre nos mercados de ações, a começar do norte-americano. O conselheiro econômico do FMI, Michael Mussa, está sugerindo um aperto na economia norte-americana nos próximos meses, para conter a demanda - e, portanto, os preços.

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