Wilmington, EUA, 22 (AE) - A DuPont vai anunciar nas próximas semanas um grande investimento no Brasil no setor têxtil, informou o presidente do grupo para a América Latina, Henrique Ubrig, na sede do grupo em Wilmington, no Estado de Delaware (EUA). Ele disse que não poderia dar mais detalhes sobre o investimento, mais que o anúncio será feito dentro de no máximo 60 dias.
Outro investimento que a DuPont está estudando para o Brasil é uma fábrica de proteína de soja. O grupo pretende, no futuro, produzir no Brasil a proteína que atualmente é importada dos Estados Unidos. A produção local seria suficiente para gerar um volume para exportar o produto com valor agregado. Ubrig ressaltou que este projeto, que envolveria investimentos de US$ 50 milhões a US$ 100 milhões, está apenas em estudos. Ele disse que, o Rio Grande do Sul é uma região que pode vir a ser estudada para implantação da unidade.
O grupo DuPont está com previsão de investimentos de US$ 100 milhões para o Brasil no ano 2000, o que representa o dobro dos cerca de US$ 50 milhões investidos este ano. Ubrig disse que a empresa vai priorizar as áreas têxtil e agrícola, incluindo toda cadeia alimentar. No setor têxtil a empresa têm produtos como a lycra, o nylon e o poliester. Na área de agricultura a empresa fabrica defensivos agrícolas.
A partir de 1º de outubro o grupo deve incorporar a maior fabricante de sementes do mundo, a Pioneer, que está sendo adquirida nos Estados Unidos por US$ 7,7 bilhões. No Brasil, a Pioneer já está presente fornecendo sementes de milho e soja. Ubrig declarou estar otimista em relação ao desempenho econômico do Brasil para os próximos dois anos. Ele prevê crescimento de 2% a 3% no ano 2000, acelerando para 4% em 2001. Para 1999, ele acredita que, o desempenho da economia brasileira ficará entre -1% e crescimento 0%.
Sobre a Fibra DuPont, uma joint venture, com o grupo Vicunha, Ubrig disse que considera um investimento estratégico. "Nossa intenção é manter a parceria da forma como está e estamos inclusive buscando oportunidades de expansão na América Latina"
afirmou Ubrig.
Entre os projetos que estão em fase de pesquisa, uma área na qual o grupo DuPont investe US$ 1,3 bilhão por ano no mundo, está um projeto para substituir o petróleo por combustíveis de fontes renováveis. Um exemplo, é o projeto 3GT que estuda o milho como uma fonte para substituir uma molécula que vem do petróleo, outro projeto é o uso do bagaço da cana. Ubrig lembrou que, o grupo tem como meta tornar 10% da energia que utiliza no mundo em energia renovável. Neste sentido, interessa a utilização do bagaço da cana. TRANSGÊNICOS - Ao comentar a atual proibição para o plantio e comercialização da soja transgênica no Brasil, Ubrig disse que a DuPont é amplamente favorável ao debate sobre a questão. "Se a sociedade não permitir o uso de alimentos geneticamente modificados, a DuPont pára a produção, mas nós acreditamos que isso não vai ocorrer", disse Ubrig. Segundo ele, a biotecnologia deverá representar 30% dos negócios do grupo DuPont em 10 anos. No Brasil a Pioneer comercializa a semente de milho modificado.
Sobre as chamadas sementes estéreis (terminator), que só produzem uma safra e obrigam o produtor a comprar sementes para o plantio seguinte, Ubrig disse que a "jamais vai tornar o agricultor dependente" de seus produtos, mas ressaltou que a empresa "não pode dar de graça uma tecnologia". Segundo ele, tem de haver uma alternativa, algum tipo de "royalty" terá de ser pago a empresa pelo agricultor. "Para que a DuPont continue investindo US$ 1,3 bilhão ao ano em pesquisa, a empresa precisa ter retorno", afirmou.

mockup