Buenos Aires, 22 (AE-AP) - "Se forem dadas condições eu volto para o Paraguai, participo das próximas eleições, ganho de todos e me torno presidente".
A ousada declaração foi feita hoje pelo general da reserva paraguaio Lino César Oviedo, atualmente exilado na Argentina. Em entrevista ao jornal La Nación, a primeira que dá desde que saiu de seu país em 29 de março, o general disse esperar que os governos do Mercosul permitam que ele volte ao país para se apresentar à Justiça com todas as garantias.
"Meus advogados já fizeram o mesmo pedido à Comissão Internacional dos Direitos Humanos", afirmou.
Ao jornal argentino, Lino Oviedo negou que fosse um dos responsáveis pelo assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, seu adversário dentro do governante Partido Colorado. Segundo o La Nación, o ex-general golpista deu uma entrevista de forma cordial, estava tranquilo e seu rosto rejuvenescido depois da cirurgia plástica a que foi submetido recentemente.
A morte de Argaña, no dia 23 de março, desencadeou uma onda de protestos que custou ainda o poder ao presidente Raúl Cubas, atualmente exilado no Brasil.
Segundo Oviedo, "ninguém pode governar sem apoio popular", numa referência ao atual mandatário Luis González Macchi. Na sua avaliação, seria preciso uma eleição para a escolha de um novo vice para substituir Argaña, o que não aconteceu.
Lembrou ainda que os partidos estão indicando os ministros, as instituições não funcionam, a insegurança aumenta, os trabalhadores rurais invadem terras, os preços dos produtos paraguaios estão baixíssimos e o cultivo de maconha está aumentando.
O jornal informou ainda que pouco depois de chegar à Argentina, Oviedo foi convidado pelo presidente Carlos Menem para jogar golfe com ele. A partida aconteceu na residência de um amigo de ambos, Carlos Martinenghi. O La Nación também lembrou que ontem, em Nova York, Menem suspendeu uma reunião que teria com seu colega González Macchi para resolver a situação de Oviedo.

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