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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Christopher Torchia, da AP 
Dili, Timor Leste, 22 (AE-AP) - O gramado de um banco abandonado na capital timorense, Dili, serve agora como acampamento de refugiados. Blocos de casas e lojas, de revendedoras de carros a salões de beleza, estão destruídos e repletos de fuligem. O velho mercado português foi posto abaixo.
Por todo o território de Timor Leste, não há praticamente nada para se comprar. Transporte, eletricidade e água potável são agora artigos de luxo.
Após a destruição causada pela milícia apoiada pelo exército indonésio, a capital do que brevemente se transformará no mais novo país do mundo não passa de uma sombra do que deveria ser uma cidade.
Os soldados indonésios que estão abandonando Timor Leste lotaram um navio da marinha com caixas e mobílias. Perto dali, jovens timorenses fizeram uma fogueira com a vestimenta militar e com bandeiras vermelho-e-branco da Indonésia.
Os soldados, que ocuparam o território desde que o então presidente Suharto o invadiu em 1975, permaneceram em silêncio.
As milícias não pouparam quase nada em sua destruição sistemática da cidade de 120.000 habitantes depois que os timorenses votaram a favor da independência no referendo de 30 de agosto. Desde então, centenas de pessoas morreram e milhares fugiram de suas casas.
Tentando sabotar a futura nação, grupos armados atearam fogo no prédio local do Ministério das Finanças e outros edifícios governamentais indonésios. Os professores indonésios, médicos e funcionários civis fugiram há muito tempo, e Timor Leste terá de ser reconstruída, literalmente, a partir do chão.
As Nações Unidas e grupos de ajuda internacionais prometeram financiar a recuperação do território de 850.000 habitantes, mas os esforço requererão injeções enormes de dinheiro e provavelmente levarão vários anos.
A matança e a instabilidade que tomaram Dili aliviaram com a chegada das tropas internacionais de paz, a maioria formada por australianos. Mas partes da cidade permanecem inseguras e muitos timorenses continuam refugiados nas colinas, relutantes em voltar às suas casas incendiadas.
"Não estamos seguros", disse Adolfo da Silva, que trabalhava como motorista para o departamento de agricultura local.
A cidade assemelha-se a um campo de morte, coberta de lixo, sapatos, documentos, álbuns de fotografia, relógios, guarda-chuvas, pedaços de vidro e cerâmica. Hotéis, clínicas, farmácias, lojas de computadores, supermercados: tudo foi destruído.
Soldados australianos ocuparam o estádio de esportes de Dili, e estão oferecendo refúgio aos residentes assustados. Hoje, dezenas de pessoas sem casa empurraram carros cheio de pertences para dentro do complexo esportivo.
Apesar da destruição causada pelos milicianos, a beleza de Timor Leste resiste à violência. Ondas azuis batem suavemente ao longo do porto de Dili, agora repleto de navios de guerra australianos. E durante o pôr-do-sol, as águas são tomadas por um vermelho profundo.


