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quinta-feira, 16 de setembro de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 17 (AE) - Desembargadores e juízes de Minas Gerais resolveram entrar em greve de advertência por três dias contra o atraso de repasse de verbas para o Judiciário e as más condições de trabalho. Eles reivindicam uma suplementação orçamentária, alegando que os valores atuais são insuficientes para o trabalho.
A greve, que terá início na segunda-feira (20), foi decidida numa assembléia realizada hoje à tarde, com a presença de mais de 300 juízes e desembargadores. Até quarta-feira (22), apenas serviços de urgência - mandados de segurança, habeas-corpus e liminares - serão realizados.
Depois da reunião de hoje, eles saíram em passeata até a Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Este ano, o Judiciário de Minas Gerais trabalhou com um orçamento de R$ 491 milhões, valor considerado insuficiente para o atendimento de todas as demandas. Eles reivindicam um orçamento de R$ 619 milhões para 2000. "A condição do Poder Judiciário é a pior do País", afirmou o presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis), Elpídio Donizetti Nunes.
Além da falta de recursos, Nunes reclama dos salários defasados e do pequeno número de juízes em relação ao volume de processos. Segundo ele, existe apenas um juiz para cada 23 mil habitantes do Estado. "Há juízes que respondem por até três varas", afirmou. "Isso torna a Justiça lenta." De acordo com os dados da Amagis, os juízes da capital mineira avaliam em média 3 mil processos por ano. No interior, a média é de 2,5 mil. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é para que cada juiz trabalhe com até 500 processos por ano.


