Brasília, 17 (AE) - Irritado por ter sido criticado novamente pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o presidente Fernando Henrique Cardoso determinou ao PSDB que abandone a disputa pela relatoria do Plano Plurianual de Investimentos (PPA), motivo de nova queda-de-braço entre PMDB e PFL. Com essa orientação, o Palácio do Planalto espera isolar ainda mais a disputa, deixando o PFL sozinho na missão de destituir o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), do cargo de relator.
O relacionamento entre ACM e Fernando Henrique vem tendo altos e baixos ao longo dos últimos meses, período em que o senador não economizou na criação de fatos políticos - como o anúncio de que não haveria mais aumento de combustível neste ano -, nas críticas ao governo e ao próprio presidente. A gota dágua aconteceu nesta semana, quando ACM declarou que Fernando Henrique "pisou na bola", ao criticar o Congresso, no mesmo dia em que o presidente se desculpava pela segunda vez.
A orientação do Planalto baseia-se na avaliação de que a disputa em torno do PPA se tornou uma briga estritamente partidária, uma vez que PFL e PMDB vêm atuando para ampliar os espaços políticos com vistas às eleições de 2002. A briga entre os dois partidos deverá se acirrar na próxima semana, quando haverá nova queda-de-braço entre ACM e Barbalho.
O presidente nacional do PMDB, que divulgou até mesmo o cronograma de discussão do programa de investimentos, avisou que a relatoria do PPA é "matéria vencida" e promete não recuar da posição. Durante café da manhã na quarta-feira (15), a cúpula do partido decidiu bancar a posição de Barbalho e peitar ACM.
Sentados à mesa, estavam Barbalho; o presidente da Comissão Mista do Orçamento, senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM); o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA); o senador Pedro Simon (PMDB-RS); o ex-ministro da Justiça e senador Renan Calheiros (PMDB-AL), e os ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, e da Integração Nacional, Fernando Bezerra.
Eles decidiram que a posição do partido se sustenta no Regimento Interno do Senado e, caso não haja acordo político, não descartaram apelar à Justiça para manter Barbalho à frente do PPA. Líderes políticos no Congresso duvidam que ACM aceite a única concessão admitida pelo presidente do PMDB, que não descartou distribuir as sub-relatorias do PPA entre os demais partidos, contemplando o PSDB e o próprio PFL.
A preocupação do Palácio do Planalto, mais que a disputa política, é que o PPA não fique parado nas gavetas do Congresso. Por isso, o PSDB está trabalhando na avaliação das metas de investimento para os próximos quatro anos, enquanto não há solução para o embate. Ontem (16), vários parlamentares tucanos reuniram-se com o secretário de Planejamento do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, José Paulo da Silveira, responsável pela articulação do programa.

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