João Pessoa, 17 (AE) - O ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, convenceu hoje de madrugada o governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB), a desconsiderar o pedido de envio de tropas federais para patrulhar as ruas de João Pessoa e dar proteção ao patrimônio público, em razão da greve dos policiais militares, que dura 12 dias. O general disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso ainda não tinha autorizado o pedido.
Cardoso e o comandante da 7ª Região Militar, sediada em Recife, general Roberto Uchoa, reuniram-se com o governador e chegaram à conclusão de sustar o pedido de emprego de tropas federais até que se resolva a situação e o governador sinta que é o caso de reforçar a solicitação ao governo federal, se o problema piorar. A autorização para o envio de tropas depende exclusivamente do presidente da República. "Não sou eu quem autoriza", disse o general.
O ministro-chefe da Casa Militar dormiu no Hotel Tambaú e, pela manhã, reuniu-se por duas horas com os deputados estaduais sargento Denis Soares (PV) e Ricardo Coutinho (PT). "Eu ouvi muito", disse o general, que pediu o "desarmamento dos espíritos" dos dois lados, a fim de que o radicalismo não prevaleça. À tarde, ele voltou para Brasília para informar a Fernando Henrique como está situação na Paraíba.
O secretário estadual de Comunicação Social, Luiz Augusto Crispim, disse que o que motivou o governo paraibano a pedir o emprego de tropas do Exército na greve dos PMs foi a adesão ao movimento dos soldados, cabos e sargentos do 2º Batalhão Militar, sediado em Campina Grande, a apreensão de carros e piquetes em alguns quartéis em João Pessoa e no interior do Estado. Os fatos que determinaram o pedido de tropas foram controlados antes da chegada de Albert Cardoso a João Pessoa, segundo o secretário.
O general elogiou a ausência do principal líder do movimento, sargento Onildo Rodrigues, na reunião no Hotel Tambaú e afirmou que a greve pode ser solucionada com facilidade. "Basta deixar de lado o radicalismo", disse. Segundo o ministro-chefe da Casa Militar, os grevistas estão dispostos a negociar e não querem radicalizar o movimento. "Isso é bom", disse o general.
O deputado Soares, também sargento da PM, disse que o bom senso prevaleceu. "Queremos que o governo apresente uma proposta digna", disse o deputado-sargento. Ele lembrou que os grevistas não querem reajuste salarial, apenas o pagamento do escalonamento vertical, uma lei aprovada em 1997 pela Assembléia Legislativa. "Nem isso o governo cumpre", disse o deputado. O escalonamento é um porcentual que vai de 100% a 22% e tem como base o soldo básico do soldado, ou 136 reais.
O secretário de Comunicação Social disse que a greve dos PMs é política e financiada pelo poder público municipal. A declaração é uma insinuação de que os prefeitos de João Pessoa, Cícero Lucena (PMDB), e de Campina Grande, Cássio Cunha Lima (PMDB), adversários de Maranhão, estão apoiando o movimento. "Quem está financiado a gastança com os grevistas"?, indagou Crispim.
Crispim lembrou, por exemplo, que na última rodada de negociação com os grevistas, que contou com a participação do deputado Cabo Júlio (PL-MG), tudo parecia caminhar para um desfecho e, de repente, tudo voltou à estaca zero.

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