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quinta-feira, 16 de setembro de 1999
Por Nelson Francisco (especial para a AE) 
Cuiabá, 17 (AE) - A Justiça decretou a prisão preventiva da escrivã Beatriz árias - assessora do juiz Leopoldino Marques do Amaral, morto no dia 7 - e do tio dela, o taxista Marcos Peralta. Motivo: o corpo parcialmente carbonizado localizado ontem (16) não era de Beatriz e sim de um homem cuja identidade ainda é desconhecida.
O procurador da República em Mato Grosso, José Pedro Taques, considera a hipótese da participação do narcotráfico no sequestro e execução de Amaral. O Ministério Público Federal (MPF) dispõe de dados e provas que relacionam a morte do juiz com traficantes dos cartéis de Cali e outras cidades da Colômbia.
Como Amaral estava investigando a relação de magistrados com o tráfico internacional de drogas, esse pode ser um dos motivos do assassinato.
"Nesse momento, nenhuma hipótese pode ser descartada", informou Taques. Para chegar até os mandantes e executores do crime, a PF está tornando ágeis as informações e fazendo rastreamento telefônico de vários suspeitos, até mesmo de autoridades do Poder Judiciário em Mato Grosso.
O superintendente da PF em Mato Grosso, Claúdio Luiz da Rosa, admitiu hoje que, para elucidar o assassinato do juiz, os desembargadores também serão ouvidos pela polícia. "Temos de checar todas as informações", disse ele. "A sociedade quer uma solução para esse crime, doa a quem doer."
Amaral estaria investigando uma série de denúncias ligando desembargadores de Mato Grosso ao traficante boliviano Dom Lúcio Salomon, o "D. Lútcho", morto no fim de agosto, em San Ignácio.
Amaral esteve no dia 2, um dia antes de desaparecer, conversando com alguns advogados em Cáceres, no Oeste de Mato Grosso. O magistrado buscava provas concretas contra desembargadores.
O procurador da República lembrou que o MPF está diante de três situações. A primeira é a denúncia contra Amaral. A segunda, uma denúncia de Amaral contra alguns desembargadores. A terceira, o sequestro e o assassinato do magistrado.
O procurador afirmou que não há provas da participação de desembargadores no assassinato de Amaral. "Não há indícios da participação deles (dos desembargadores); caso apareça, só o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, é que poderá os investigar", ressaltou.
Com a confirmação de que o corpo localizado não era de Beatriz, a família dela acredita que a escrivã esteja sendo usada como "bode expiatório". "Minha filha não tema nada com isso", disse a mãe da escrivã, Joana áries. "Têm de pegar é os grandes." Temendo a vida de toda a família, Joana pediu proteção policial para os 39 parentes.
Todos os telefones da família árias estão grampeados. Para tranqilizar a família, Beatriz disse - por telefone - a uma amiga que vai se entregar a qualquer momento. Ela não disse o local onde estava.


