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quinta-feira, 16 de setembro de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 17 (AE) - Os presidentes do Congresso, senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), transferiram para Salvador, hoje, a briga causada pela indicação do peemedebista para a relatoria do Plano Plurianual de Investimentos (PPA). ACM disse que Barbalho e o senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), presidente da Comissão Mista de Orçamento, cometeram uma "apropriação indébita", contrária ao regimento e resoluções do Congresso, ao assumir a relatoria do PPA.
Barbalho, que foi a Salvador participar da filiação do deputado Coriolando Sales (PDT-BA) ao PMDB, disse que tudo não passou de uma falta de orientação de assessores de Magalhães. De acordo com Barbalho, "é um caso de desinteligência sobre a interpretação regimental que, às vezes, ocorre no Parlamento". Na visão dele, o impasse pode ser resolvido rapidamente.
Pela manhã, ACM participou de uma solenidade na Fundação Luís Eduardo Magalhães e comentou a nomeação de Barbalho para a relatoria do PPA. "Evidentemente, os líderes não o desejam no cargo e, se as lideranças não querem, conforme documento que me enviaram, temos de dar uma providência para reveter essa situação." Magalhães disse que irá se reunir com os líderes para definir uma solução. "O relator deve representar a vontade da maioria da Câmara e do Senado", observou, assinalando existir "uma união de todos nessa cruzada para evitar que se ganhe no grito alguma coisa nesse País".
Barbalho procurou não criticar diretamente ACM. "Não me sentiria bem dizer coisas desagradáveis na terra do senador Antonio Carlos Magalhães", comentou, sem, contudo, deixar de defender a "legitimidade" ao assumir a relatoria do PPA. "Cabe ao presidente da Comissão do Orçamento, senador Gilberto Mestrinho, escolher o relator do PPA e ele o fez observando o regimento do Congresso", declarou, achando que ACM foi, "lamentavelmente, muito mal-assessorado nessa questão". Para Barbalho, não é competência do presidente do Congresso definir o assunto. Ele disse que, na terça-feira (21), estará "a pleno vapor" no PPA e espera superar a questão da falta de quórum (manobra executada pelos opositores) para iniciar o trabalho.
"Farei as audiências necessárias, fixarei o prazo das emendas e vou discutir a idéia das sub-relatorias, que achei interessante."
Sempre procurando evitar o confronto com ACM, Barbalho não considera que a oposição do presidente do Congresso ao nome dele é de ordem pessoal.
"Longe de mim imaginar isso; tenho certeza que foi algum assessor pouco informado que deu essa orientação equivocada ao senador Magalhães", repetiu. Barbalho garantiu que o PMDB não abre mão da relatoria do PPA. "Já me acho formalmente no cargo", disse.
Ao saber da presença de Barbalho na Bahia, ACM foi ironico. "Aqui, há lugar para todos e, além do mais, o PMDB apóia-me na Bahia." Uma jornalista perguntou se ele pretendia se encontrar com Brabalho. "Não, mas mando um abraço apara ele através de você", brincou.
ACM mudou de tom, ao falar sobre a participação no seminário promovido pelo PT. "Fui convidado e é claro que vou." Sobre as ameaças de vaia dos petistas e o clima desfavorável previsto para o evento, o senador disse não temer as reações. "Não sou de briga, não sou lutador de boxe, sou um politico de idéias e, ademais, as pessoas são civilizadas no Brasil."
ACM também comentou a nova pesquisa que revelou um índice histórico de rejeição do presidente Fernando Henrique Cardoso. "A rejeição é causada por dois fatores, um de ordem de economia internacional, que repercute intermanente, e outro, a pouca divulgação daquilo que ele (FHC) realiza." O senador acha
contudo, ser possível uma reversão dessa tendência de impopularidade em pouco tempo. Uma das medidas essenciais seria evitar um reajuste nos preços dos combustíveis, que começa a ser discutido no governo por causa do aumento do barril de petróleo no Exterior. "Não admito essa possibilidade este ano, pois é uma medida impopular", disse. "Deve-se fazer sacrifícios em outras áreas, mas isso quem sabe é o governo."


