Brasília, 11 (AE) - A tendência moderada do PT deverá ter uma nova vitória sobre os radicais do partido no congresso que elegerá a direção nacional petista em novembro. O atual presidente da legenda, José Dirceu (SP), deverá ser reeleito para um terceiro mandato de dois anos, defendendo a ampliação da política de alianças do PT com setores de centro.
Principal adversário de Dirceu no partido, o deputado Milton Temer (RJ) reconhece que está em minoria. "Um terço dos delegados com direito a voto foram indicados pelo campo pragmático do partido e isto dá a eles o controle da convenção"
afirmou.
Segundo Temer, os radicais controlam as seções do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Alagoas, mas perdem em São Paulo e também no Rio de Janeiro. "A política de filiações em massa diluiu a nossa base em grandes centros", lamentou o parlamentar
que admite: "eles têm a maioria no partido".
Apesar da derrota anunciada, Temer acredita que a disputa pelo controle da legenda irá levar a tendência majoritária a adotar algumas teses da extrema-esquerda petista. "A conjuntura de desgaste do presidente Fernando Henrique Cardoso já levou a uma radicalização dos moderados no campo tático, com a defesa da CPI da Privatização e da denúncia por crime de responsabilidade. Está acabando as discordâncias dentro do PT entre o confronto ou não com o governo federal", afirmou.
Representante da corrente moderada, o líder do PT na Câmara, José Genoíno Neto (SP) impõe limites nesta aproximação. "Não defendemos o encurtamento do mandato de Fernando Henrique e nem a sua renúncia".
Segundo Genoíno, foi exatamente por distoar deste entendimento que o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro deixou de ser visto pelo grupo majoritário como uma alternativa para suceder José Dirceu. Até o ano passado, a tendência no PT era por um rodízio de lideranças, com Genro substituindo o atual presidente. "Dirceu permitirá que o PT continue se ampliando", afirmou.
Os dois grupos que disputam o controle do partido devem chegar a um consenso sobre questões de administração interna da legenda. Há uma negociação para a aprovação de uma norma que impeça às pessoas filiadas ao PT de participarem de convenções partidárias antes de terem pelo menos um ano de militância. O objetivo é impedir que membros do partido que ocupam cargos em administrações municipais e estaduais usem a máquina pública para aumentar a sua influência na legenda. "Os critérios irão mudar", disse Genoíno.
Outro ponto em que a tendência é convergente é diminuir a contribuição compulsória que governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores são obrigados a descontar de seus salários para o partido. No caso de deputado federal, o desconto atual é de 27%. "É necessário buscar outras fontes de financiamento, porque 80% do orçamento do PT hoje depende da contribuição dos eleitos", criticou Genoíno. "Sou inteiramente a favor de se rever isto", disse Temer.
Mas é na formulação da estratégia petista para as eleições de 2002 que a distância é total. Enquanto facções dentro do grupo que hoje controla o PT admitem até mesmo abrir mão da cabeça de chapa na eleição presidencial em favor de outro candidato oposicionista, como por exemplo o governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PDT), a extrema-esquerda do PT considera inconcebível até mesmo as alianças em que outros partidos de oposição apóiem o PT sem subscrever por inteiro o programa petista. "Estão confundido política de alianças com entrega antecipada de hegemonia", disse Temer.
No campo das teses programáticas das diversas tendências do partido, a divergência também é marcante. O grupo "Refazendo", do qual Temer é um dos líderes, propõe a estatização do sistema financeiro e a suspensão do pagamento da dívida externa. A "Democracia Radical", liderada por Genoíno e que se compõe com a "Unidade na Luta", de José Dirceu, prega alianças do PT com setores empresariais que se sentem prejudicados com a política econômica do presidente Fernando Henrique.

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