São Paulo, 11 (AE) - A investigação de paternidade é a aplicação mais conhecida do teste de DNA. No mundo todo, calcula-se que entre 5% e 10% da população do planeta convive com dúvidas sobre a paternidade. No Brasil, dados do IBGE mostram que uma em cada três certidões de nascimento está com um espaço em branco no nome do pai. Só em São Paulo há mais de 5 mil investigações de paternidade a cada ano, mas esse número poderia ser bem maior se o teste fosse mais acessível. Nos Estados Unidos, por exemplo, a média chega a 200 mil testes por ano.
O primeiro caso conhecido no Brasil ocorreu em 1988, quando um exame de DNA comprovou que o filho da ex-mulher de um diplomata não era do seu marido. Embora ele tivesse registrado o filho em seu nome, em 1984, ela entrou na Justiça para contestar a paternidade do marido. Na época, o teste de DNA ainda não estava disponível e um exame de sangue registrou 90% de probabilidade de que o diplomata fosse o pai. Quatro anos depois
o teste de DNA desmentiu o exame anterior e resolveu a dúvida.
Esse tipo de teste ficou ainda mais popular quando passou a ser utilizado por pessoas famosas. O cantor Roberto Carlos foi um dos primeiros a se valer da novidade. Em 1989, após um exame de DNA, ele reconheceu Rafael Carlos Torres Braga, então com 25 anos, como seu filho. Depois, declarou que se submeteria a tantos testes quanto fossem necessários para esclarecer outras eventuais suspeitas de paternidade.
Menos entusiasmado, o ex-jogador Édson Arantes do Nascimento, o Pelé, relutou muito até reconhecer, em 1992, as evidências de que era pai de Sandra Regina Machado, na época com 27 anos. Pelé recorreu por seis vezes na Justiça, mas os exames de DNA foram decisivos. Sandra passou a ser reconhecida oficialmente como filha do rei do futebol.
A precisão do exame é tamanha que tem assustado muita gente. Em abril deste ano, o ex-prefeito Paulo Maluf declarou que estava disposto a se submeter ao exame para desmentir a paternidade da menina P.S.E.R.O., de 8 anos. Na semana passada, como Maluf não tomou nenhuma iniciativa, o advogado da mãe, Silvana Rocha de Oliveira, resolveu solicitar o teste.
Polêmica - O caso polêmico mais recente envolve o cantor sertanejo João Paulo, da dupla João Paulo e Daniel, que morreu em acidente de carro em setembro de 1997. A modelo Renata Cristina Mendes do Nascimento entrou na Justiça para provar que o seu filho, Daniel Henrique, hoje com 1 ano e 3 meses, foi concebido poucos dias antes da morte do cantor. A única alternativa para o juiz Ettore Geraldo Avólio foi pedir a exumação do cadáver para a realização do teste de DNA.
Depois de muita confusão e resistência da família, a exumação foi feita no dia 24 do mês passado. Uma equipe da Faculdade de Odontologia da Unicamp colheu amostras de vários ossos de João Paulo. Em seguida, foram coletadas amostras de sangue da mãe e da criança. O resultado do exame, que está sendo feito em Piracicaba, deve ficar pronto em três meses.
Para evitar esse tipo de aborrecimento, uma empresa especializada, a Genomic Engenharia Molecular, criou, em 1991, o primeiro banco de DNA do País. O cliente pode deixar algumas amostras de material com o seu DNA, que depois servirá para eliminar ou esclarecer qualquer dúvida sobre possíveis herdeiros.
Uma necessidade para pessoas ricas e famosas garantirem seu patrimônio, mas um luxo ainda muito distante para quem só quer preencher aquele espaço em branco na certidão de nascimento.





