São Paulo, 09 (AE) - Depois dos dias secos do mais quente inverno dos últimos 38 anos, os paulistanos enfrentaram hoje problemas típicos do verão. As chuvas que chegaram à Região Metropolitana, depois de mais de dois meses de estiagem, foram demais para esgotos e bocas-de-lobo. No Parque Edu Chaves, ruas e casas foram tomadas por uma enchente. Em outros pontos, houve alagamentos.
A água e o vento da madrugada deixaram bairros sem energia elétrica. Sinais ficaram apagados em várias regiões e o trânsito da capital apresentou o mais alto índice de congestionamento pela manhã neste ano. Sem eletricidade, a água não chegou às torneiras dos pontos mais altos da Grande São Paulo. Alguns moradores só a viram pela manhã, das janelas.
Começou a chover por volta das 3 horas. Logo a Eletropaulo começou a receber telefonemas pedindo restabelecimento da energia. De acordo com a Assessoria de Imprensa da empresa, em todos os bairros da capital houve casos de falta de energia. A pane elétrica também atingiu cidades da Região Metropolitana.
Ventos fortes e a chuva foram apontadas como responsáveis pela maioria dos desligamentos. Em alguns casos, houve queda de árvores ou galhos de árvores sobre a rede elétrica. Em outros, os transformadores queimaram, acordando pessoas com o estrondo provocado. O fornecimento de energia voltou ao normal à tarde.
Sem energia que fizesse funcionar as bombas, a água não chegou às regiões da Avenida Paulista, Vila Formosa, Artur Alvim
Sapopemba, Tatuapé, Vila Madalena e em bairros de Barueri e Osasco. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) atendeu com carros-pipa, de forma emergencial, hospitais e moradores.
Quando a eletricidade voltou, as bombas começaram a funcionar. O abastecimento, entretanto, só foi completamente restabelecido no começo da noite.
A água que faltou nas torneiras, sobrou em ruas e avenidas, dificultando o tráfego. Sem energia elétrica, semáforos de mais de 50 cruzamentos foram desligados, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), e a lentidão registrada nas vias da cidade chegou a 122 quilômetros às 8h30, índice recorde do ano. O anterior era de 120 km, registrado em 16 de abril.
Nas Marginais do Tietê e do Pinheiros houve seis pontos de alagamento, a maioria causadas por entupimento de boeiros e bocas-de-lobo. Na Radial Leste, pelo mesmo motivo, parte da pista sentido bairro-centro ficou alagada por cinco horas, das 4h15 às 9h10. Na Avenida do Estado, sob a Ponte da Fepasa, uma falha no sistema de bombeamento de água deixou a pista alagada das 6h às 10h15.
Quem deixou o carro em casa, não teve menos dificuldades. Os trilhos do metrô, nas áreas descobertas, ficaram molhados. Com isso, como ocorre sempre que chove, os trens das Linhas Leste-Oeste e Norte-Sul circularam com velocidade reduzida.
No Parque Edu Chaves, na zona norte, moradores não falavam da falta de água. Tampouco se importavam se havia ou não energia elétrica. Alheios aos problemas de trânsito, ocuparam-se em repetir a rotina comum aos dias de chuva. Ergueram móveis e eletrodomésticos para depois tratar de retirar a água barrenta, mistura de chuva e esgoto, de suas salas, quartos e quintais.
Houve ruas em que a inundação chegou a quase um metro de altura. As áreas mais atingidas do bairro estavam perto do Córrego Cabuçu de Cima. Bueiros e bocas-de-lobo foram de pouca utilidade pela manhã. Apenas por volta das 11 horas o nível da água começou a baixar. Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a Secretaria das Administrações Regionais (SAR) informou que a limpeza de bueiros e bocas-de-lobo vem sendo feita e os entupimentos foram casos isolados.
Apesar dos problemas, a chuva limpou o céu, reduziu o calor e acabou com o ar seco responsável por problemas respiratórios e a sensação de mal-estar sofridos pela população nas últimas semanas. As temperaturas mínima e máxima de ontem foram bem inferiores às registradas na quarta-feira. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura ontem na capital variou de 15,5 a 26,3 graus, numa queda acentuada em relação às marcas de 22,4 e 31,1 graus do dia anterior.
O índice pluviométrico do Inmet, medido entre 15 horas de ontem (08)e 15 horas de hoje , foi de 31 milímetros - precipitação ocorrida, sobretudo, de madrugada -, ante zero no dia anterior, já que a garoa fina de ontem começou no meio da tarde. Com isso, já choveu quase a metade do índice médio de setembro, de 71,5 mm.

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