São Paulo, 09 (AE) - A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MPE) irão investigar a existência de um esquema de cobrança de propinas numa área próxima ao Mercado Municipal, no Parque D. Pedro, centro de São Paulo. Funcionários da Administração Regional da Sé estariam cobrando dinheiro de comerciantes e ambulantes que vendem os produtos no lado de fora do mercado.
Todos os dias, ambulantes e produtores de frutas e verduras estacionam caminhões próximos ao mercado, durante a madrugada, e vendem os produtos para comerciantes e feirantes da cidade. O ponto é conhecido pelos comerciantes como "Paraguai"
pois os produtos são vendidos mais baratos e a feira é clandestina.
O promotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaecco), ouviu hoje três comerciantes do Mercado Municipal que denunciaram o suposto esquema. Segundo eles, os donos dos caminhões são obrigados a pagar 100 reais diários para vender os produtos na rua. Os ambulantes pagavam a metade desse valor.
"Como o Paraguai ainda está funcionando todos os dias
eles devem continuar pagando propina", diz o comerciante Reinaldo de Miranda, que, durante anos, foi dono de um açougue no Mercado Municipal. No início da década, ele transferiu-se para o Mercado da Penha, mas ainda é ligado à Associação dos Permissionários do Mercado Municipal.
"A denúncia é grave", avaliou Porto. Hoje mesmo, ele pediria ao delegado Romeu Tuma Júnior a abertura de inquérito policial para investigar o caso.
O administrador regional da Sé, Antonio Castelo da Cruz, informou, por meio da Assessoria de Imprensa, que desconhece a cobrança de propinas na região por parte de funcionários da regional. Segundo a assessoria, são realizadas operações conjuntas com a Secretaria Estadual da Fazenda e Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para coibir o comércio clandestino próximo ao mercado.

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