PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 09 (AE) - O Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) preparou uma listagem dos principais pontos de venda de crack na capital com nomes dos traficantes e participantes de seus grupos.
Segundo o delegado Marco Antônio Ribeiro de Campos, diretor do Denarc e coordenador de todo o trabalho, delegados e investigadores estarão com mandados de prisão expedidos pela Justiça para a captura dos traficantes.
Equipes do Denarc vão percorrendo favelas, bares e locais frequentados por maiores e menores envolvidos com o uso e a venda de crack. "Nossa prioridade é o traficante e esperamos ter sucesso em pouco tempo."
Hoje, Ribeiro de Campos esteve em Sorocaba reunido com policiais da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) da cidade. Ele vai visitar as demais Dises instaladas nas principais cidades.
O delegado adiantou que o objetivo é a integração com a polícia no interior que enfrenta problemas com o crack a exemplo da capital.
Durante o anúncio do plano de combate ao crack, na reunião de quarta-feira, no Palácio da Polícia, o secretário da Segurança, Marco Vinício Petrelluzzi, ouviu de delegados e investigadores reclamações da falta de meios para desenvolver o trabalho de combate ao tráfico na capital e interior.
Os policiais disseram a Petrelluzzi que não existe dinheiro para abastecer os carros e para as investigações fora do município. O secretário prometeu carros e dinheiro para o combustível e as diárias.
Celas - A cadeia do Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri), no Carandiru, zona norte, apontada em relatório da Pastoral Carcerária como uma "verdadeira masmorra" tem apenas 7 celas inteiras. Ao todo são 30 celas, 15 no primeiro piso e as outras 15 no térreo.
Nas seguidas rebeliões dos últimos anos os detentos destruíram grades, circuito interno de televisão, abriram buracos no piso e no telhado.
Sem dinheiro para a reforma, o número de celas foi diminuindo. Em 30 de maio deste ano, durante rebelião, os presos destruíram oito celas. Nas sete que restaram e onde cabem no máximo 70 detentos estão recolhidos 226. São autores de assaltos, furtos, roubo de cargas e de carros. Em cada cela existem 9 beliches e a maioria dorme no chão.
Godofredo Bittencourt Filho, diretor do Depatri, declarou hoje que o andar superior não será reformado. Os "craqueiros", como são chamados os traficantes de crack pelos policiais, vão ficar nas celas do térreo.
Os delegados do Depatri querem saber para onde seguirão os 226 presos. As delegacias prendem por dia 10 criminosos e a Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários da Capital (Coespe) fornece em média 30 vagas por semana para a transferência para as penitenciárias administradas pela Secretaria da Administração Penitenciária.
Bittencourt informou ainda que os policiais de seu departamento estão "engajados" no plano de prisão dos traficantes de crack. "Todos estão avisados que além do trabalho de caça aos ladrões devem também mandar para a cadeia todo traficante de crack."


