Foz do Iguaçu, PR, 09 (AE) - Tumultos e contradições atrasaram hoje (09) o depoimento que pode elucidar as causas do acidente que no domingo causou a morte de um piloto e seis turistas estrangeiros nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR).
Desaparecido desde o acidente, o piloto que sobreviveu, Neri Carlos Lysik, 39 anos, não compareceu no horário marcado para depor na Polícia Civil. Previsto para as 14 horas, o testemunho só começou por volta das 18 horas, depois de muito tumulto.
Pouco antes das 15 horas, o delegado Paulo Renato Caldas Araújo apresentou o mandado de prisão temporária de Lysik, expedido pelo juiz da 1ª Vara Cível de Foz, Ruy Mugiatti. O sócio-proprietário da empresa Ilha do Sol Turismo e Navegação, o norte-americano naturalizado brasileiro Alexander Peter Schorsch
disse que Lysik sentiu-se coagido ao saber que o mandado de prisão temporária já estava assinado desde ontem.
O depoimento seria realizado na segunda-feira, mas foi transferido a pedido do promotor Cândido Furtado Maia Neto, que pretendia acompanhar o testemunho do piloto. Schorsch nega a acusação de que Lysik estivesse escondido, embora o delegado tenha estranhado a ausência dele na delegacia para depor no horário marcado. "É uma atitude suspeita", sintetizou Araújo.
No final da tarde o advogado da empresa, Bruno Migliosi, levou o piloto à delegacia para depor e à noite tentaria a revogação do mandado de prisão, para que Lysik possa participar da reconstituição do acidente, marcada para hoje às 9 horas.
Na simulação, a Polícia Civil e a Capitania dos Portos do Rio Paraná usarão barcos iguais aos do dia do acidente e repetirão a rota usada pelos dois pilotos até o momento da colisão frontal.
As testemunhas já ouvidas pelo delegado - cinco japoneses, uma chilena, dois americanos e dois franceses - disseram que o piloto Cândido Siqueira, 23, fez uma conversão errada. Além de Siqueira, no acidente morreram três turistas portugueses, dois franceses e um chileno.
Logo depois de apresentar o mandado de prisão de Lysik, o delegado Paulo Renato Caldas Araújo fez uma varredura na documentação da empresa Ilha do Sol, responsável pelo passeio conhecido como Macuco Safári e dona dos barcos infláveis que se chocaram, provocando o mais grave acidente já registrado no interior do Parque Nacional do Iguaçu.
Schorsch afirmou ao delegado que os barcos tinham os equipamentos de segurança necessários e que a empresa vinha cumprindo todas as exigências do termo de responsabilidade, imposto há cerca de dois anos pela Marinha.
O termo é um documento que impõe à empresa uma série de medidas de segurança para a realização dos passeios que a empresa dele vinha fazendo no Rio Iguaçu, transportando turistas até o canyon das Cataratas.
O acidente aconteceu um dia antes de vencer o contrato de concessão firmado entre a empresa Ilha do Sol Turismo e Navegação e o Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O passeio de barco, explorado havia 13 anos pela empresa, foi suspenso logo depois do acidente. No lado argentino do Parque Nacional do Iguaçu o mesmo tipo de passeio vem sendo realizado normalmente.

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