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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 09 (AE) - A polícia entrou hoje no acampamento dos sem-terra na Fazenda Caracol, em São Bento do Una (PE), e recuperou 9,5 toneladas de sabão em pó e cerca de uma tonelada de alimentos que haviam sido saqueados na segunda-feira. Ontem o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) havia afirmado que reprimiria saques no Estado. Comandada pelo coronel Aristóteles Pedrosa de Almeida, do 15a.Batalhão da Polícia Militar, a operação envolveu 80 homens da PM, dois delegados e cinco agentes da Polícia Civil e dois oficiais de justiça.
De posse de um mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz do município vizinho de Lajedo - onde ocorreu o saque -, Feliciano Nilo Silva, os policiais revistaram todas as barracas do acampamento. A maior parte da carga saqueada estava a 500 metros do acampamento, em uma clareira aberta no alto de uma colina e coberta com lona preta.O MST promoveu saques simultâneos na segunda-feira, em municípios de todas as regiões do Estado, alegando fome. Foram presos 24 sem-terra e grande parte dos produtos saqueados foram recuperados no mesmo dia pela polícia.
Os motoristas dos caminhões saqueados acompanharam a operação desta quinta-feira, com seus veículos, e reconheceram um dos participantes do saque, Josias de Barros Ferreira, 22 anos, que foi levado à delegacia de São Bento do Una, para depor. Ele foi liberado em seguida.
Denúncia - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST-PE) denunciou tortura contra o sem-terra Jorge Clemente dos Santos, de 39 anos, que disse ter sido espancado e ameaçado com uma pistola para revelar onde estavam os produtos. O coronel Aristóteles nega qualquer agressão. "Não houve violência contra nenhum deles e a orientação era a de não agredir ninguém", afirmou. Ele justificou o grande aparato policial devido à informação, do próprio MST, de que havia 700 famílias acampadas no local. Segundo o coronel, na área se encontravam em torno de 120 pessoas, 30 delas mulheres e crianças.
O líder do MST-PE, Jaime Amorim, que participou hoje de um fórum de desenvolvimento de áreas assentadas, promovido pelos governos federal e estadual, em Petrolina, no sertão, acompanhou o caso pelo telefone. Ele considerou a ação policial "uma arbitrariedade" e disse ser inaceitável esse tipo de violência e de humilhação.


