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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 09 (AE) - Com cerca de 20% das reservas de água doce do mundo, o Brasil precisa dar mais atenção à preservação ambiental para evitar efeitos da crise de abastecimento que poderá afetar dois terços da população mundial a partir de 2025, caso seja mantido o atual ritmo de degradação do Planeta. O alerta é do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), organização não-governamental ambientalista com sede na Suíça que divulgou hoje, no Rio, a edição 1999 do relatório Planeta Vivo. De acordo com o texto, em apenas 26 anos (1970-1995), a qualidade dos ecossistemas mundiais de água doce sofreu uma queda de 45% e mais da metade (51%) das 102 espécies de animais vertebrados analisadas em 151 países diminuiu "drasticamente".
Na apresentação do documento, o secretário-geral do WWF, Claude Martin, cobrou investimentos na melhoria das condições ambientais e exigiu a efetivação de medidas acertadas durante a Rio-92, encontro de chefes de Estado realizado no Rio, há sete anos, para discutir problemas relacionados ao meio ambiente. "Estamos terminando o século mais devastador da humanidade e não estou me referindo às duas guerras mundiais, mas sim à perda da biodiversidade", afirmou Martin.
Para o ambientalista, o que mais preocupa é a degradação dos ecossistemas de água doce, mas ele também destacou os problemas relacionados à questão da poluição do ar. "Falta pressão de países como o Brasil", afirmou Martin, referindo-se à pequena participação brasileira na discussão de padrões internacionais de tolerância para a emissão de gases poluentes.
Florestas - De acordo com o WWF, o elevado número de queimadas está entre as principais contribuições negativas do Brasil - que tem um terço das florestas tropicais do mundo - para o aquecimento global provocado pela emissão de dióxido de carbono (CO2). Segundo o relatório, a devastação de florestas no mundo atinge, por ano, 150 mil quilômetros quadrados, uma área correspondente ao território da Grécia. Os dados apresentados pela entidade indicam uma redução de 5% das florestas do Planeta no período 1970-1995.
As reivindicações do WWF serão concentradas principalmente na questão dos ecossistemas de água doce. "No futuro, a água será tão valiosa quanto o petróleo e o Brasil, que possui 20% de toda a água doce do mundo, precisa usar corretamente seus recursos naturais para não sofrer os mesmos problemas de outros países", disse o diretor-executivo do WWF-Brasil, Garo Batmanian. No caso dos ecossistemas marinhos, 35% da biodiversidade desapareceu no período 1970-1995, segundo o relatório.
Em relação aos acordos firmados na Rio-92, ele disse que os recursos prometidos "ainda não apareceram". "Ficamos felizes com a assinatura, mas quase nada foi implementado."
Espécies ameaçadas - Dos 151 países analisados, o Brasil ficou em sexto lugar no ranking dos que possuem mais espécies ameaçadas de extinção, em números absolutos, com 358 espécies. Os EUA estão em primeiro lugar, seguidos por Austrália, áfrica do Sul, Turquia e México.
Para o secretário-geral do WWF, o índice de desenvolvimento dos países não pode estar relacionado exclusivamente a fatores econômicos. Claude Martin defendeu o fim de subsídios dados por governos dos EUA, Canadá e países da Europa para setores como pesca, exploração de madeira e mineração. "Os governos gastam bilhões com subsídios; não é uma medida inteligente", afirmou.


