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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Hugo Marques, especial para a AE 
Brasília, 09 (AE) - O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, admitiu hoje a incapacidade do governo em controlar as queimadas no País neste ano. Mas afirmou que vai tomar medidas para reduzir em pelo menos 30% os focos de calor no próximo ano. As queimadas, segundo o ministro, são uma questão cultural e é necessária a participação da sociedade e dos municípios para evitar o problema.
Durante a reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), hoje, Sarney Filho admitiu as dificuldades do governo para resolver os problemas do meio ambiente, o que tem gerado críticas internacionais. "Temos um oceano de carências e essas nossas ações são uma gota dágua". O ministro afirmou que o País "avançou", mas ainda está a quilômetros de distância do ideal.
Ações - A primeira iniciativa do ministério do Meio Ambiente foi sugerir ao Ministério da Defesa a criação de uma brigada aérea de combate ao fogo, com o uso de aviões da Aeronáutica. O ministro da Defesa, Élcio álvares, que também participou da reunião do Conama, prometeu estudar o assunto com os comandos das Forças Armadas.
Sarney Filho pretende fazer nova regulamentação sobre queimadas, com autorizações por meses do ano e condições econômicas dos agricultores, já que muitos podem recorrer a outros métodos. No Mato Grosso, as queimadas serão autorizadas somente até julho, segundo o ministro. "Quero ter como meta reduzir as queimadas entre 30 e 40%". O governo também vai multar e pedir a prisão de quem provocou incêndios criminosos. Estas áreas estão sendo identificadas pelos satélites.
Os governadores do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB)
e do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, que participaram da reunião do Conama, reclamaram da pouca assistência financeira que receberam do governo. Dante afirmou que entregou no final do ano passado um plano de controle de queimadas para este ano, mas o governo não deu resposta. Sarney Filho disse não ter recebido o documento.
Para Zeca do PT as queimadas têm de ser suspensas não por 60 dias mas eternamente. Zeca pediu ao governo federal R$ 2 milhões para estruturar brigadas contra queimadas
Autorizadas - O ministro ainda não recebeu todo o levantamento sobre o número de queimadas no País, mas estimou em pouco mais de 500 o número das autorizadas neste ano. Os técnicos do Prev Fogo acreditam que o número seja bem maior. Dante de Oliveira disse que "a maioria" das queimadas em seu Estado é autorizada pelo governo.
A presidente do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Adriana Gonçalves Moreira, disse que o Avança Brasil do governo federal pode transformar-se em um "avança-fumaça" se não houver planejamento municipalizado. Segundo ela, o governo só pensa em grandes obras e o agricultor que fica abandonado no meio do mato põe fogo por falta de renda para mecanizar a lavoura. A coordenadora da Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses, Míriam Prochnow, afirmou que o governo não consegue internalizar doações estrangeiras para defesa do meio ambiente.


