São Paulo, 06 (AE) - O feriado nos Estados Unidos interrompe hoje as transações na Bolsa de Nova York, no mercado de renda fixa com lastro em títulos do Tesouro norte-americano e também em títulos de dívida externa de países emergentes como o Brasil. Sem Nova York fica comprometido o giro de moeda nas principais praças européias e em toda a América Latina. Grandes bancos mantêm esquemas de plantão nas mesas de captação e aplicação de recursos, câmbio e renda variável. Não é esperado, porém, movimento importante na Bolsa de Valores de São Paulo e tampouco na BM&F, que amanhã estarão fechadas devido ao feriado do Dia da Independência. Mas, operadores não descartam a possibilidade de tesourarias promoverem um esforço conjunto, nesta segunda-feira, para sustentar o Ibovespa acima dos 11.000 pontos - melhor preço desde a terceira semana de julho.
Qualquer correção mais significativa pode ser empurrada para quarta-feira, quando aumentará certamente o número de tomadores de risco no mercado brasileiro. Hoje, o Banco Central pode retornar ao mercado aberto, do qual ficou afastado na sexta-feira, após promover repasses de reais às instituições financeiras de quarta para vencimento nesta segunda, dia 6, à taxa de 19,51% ao ano. A disponibilidade de moeda é o termômetro que determinará a atuação do BC.
Contas - Mesmo que a mesa de operações do Banco Central permaneça afastada dos negócios, se a liquidez estiver em equilíbrio, ocorrerá um importante acerto de contas entre a instituição e o sistema bancário. Motivo: hoje a instituição credita na conta de reservas bancárias aproximadamente R$ 2,34 bilhões referentes a resgate de Notas do Banco Central da série E (NBC-E) e, simultaneamente, os bancos estarão pagando ao governo pela compra de aproximadamente R$ 1,630 bilhão de títulos cambiais semelhantes vendidos em leilões antecipados e mais R$ 500 milhões de NBC-E vendidas na última sexta-feira em mais um leilão extraordinário - denominado leilão de "hedge cambial". Cruzando créditos e débitos na conta de reservas bancárias, o impacto monetário dessas operações com títulos públicos fica praticamente neutralizado. Mas, de todo modo, o mercado estará devolvendo ao BC recursos que tomou emprestado na quarta-feira passada.
O mercado de câmbio pode dar trégua às autoridades monetárias, por estar engasgado de hedge cambial. Considerando os leilões promovidos na sexta, a colocação bruta de NBC-E desde 20 de agosto subiu a R$ 8,518 bilhões pelo valor nominal dos títulos. Deste total, R$ 5,9 bilhões correspondem à venda líquida de títulos. Isto é, colocação que supera os resgates previstos. O restante envolve papéis cambiais que começam a substituir parcialmente os que estarão vencendo a partir desta segunda-feira.
A bateria de venda de títulos cambiais, disparada incessantemente por quase duas semanas pelo Banco Central baixou o dólar, mas não garantiu a ruptura do suporte de R$ 1,90. A moeda resiste. O BC já deu, porém, mais um recado ao mercado ao anunciar - sexta-feira no final da tarde - que na volta do feriado da Independência vai emitir R$ 15 bilhões de NBC-E em três lotes distintos para sua própria carteira. As datas de vencimento das novas NBC-E são as seguintes: 13 de abril, 11 de maio e 16 de junho de 2000. Portanto, estes lotes de cambiais tem prazos de, respectivamente, sete, oito e nove meses. O estoque de R$ 20 bilhões de cambiais - também emitido para a carteira do BC em 26 de agosto - foi distribuído em quatro lotes com prazos de seis e sete meses.
Nesta semana o BC faz dois leilões antecipados de NBC-E. Na quarta-feira, oferece ao mercado R$ 500 milhões com emissão em 17 de setembro e vencimento em 8 de março de 2001 e, na sexta-feira, vende R$ 2,3 bilhões de NBC-E com emissão em 20 de setembro e vencimento em 15 de março de 2001. O Tesouro Nacional atuará na quinta-feira. Colocará à venda R$ 3 bilhões de títulos. Este lote comporta R$ 2 bilhões de prefixadas Letras do Tesouro Nacional (LTN) e R$ 1 bilhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT). As LTN tem prazo de 89 dias e as LFT, de 362 dias para o vencimento.
Reunião ministerial - A reunião ministerial marcada para a quarta-feira pelo presidente Fernando Henrique Cardoso - às 15 horas no Palácio do Planalto - é sem dúvida o evento que promete concentrar a maior atenção do mercado nesta semana em que o Ministério do Desenvolvimento deve contar com novo titular. A demissão de Clóvis Carvalho, na madrugada do sábado, exige mais um ajuste no Ministério FHC. E a perspectiva é de que o Presidente da República aproveite o momento e passe a exigir com mais vigor maior coesão e dedicação ao Plano Plurianual de Investimentos (PPA), encaminhado na semana passada ao Congresso com a proposta de orçamento para o ano 2000.

mockup