PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de setembro de 1999
Por Angela Bittencourt 
São Paulo, 06 (AE) - A queda da liquidez no mercado financeiro nesta segunda-feira devido ao feriado nos Estados Unidos (Dia do Trabalho) e véspera do feriado da Independência no Brasil deve amortecer eventuais tentativas de especulação com a saída do ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, anunciada na madrugada do sábado. A expectativa, porém, é de que esta nova mudança ministerial tenha repercussão menor do que o fato de o presidente FHC ter (aparentemente) decidido unificar, a qualquer custo, o discurso de seus auxiliares diretos.
O presidente terá a chance de capitalizar a expectativa na reunião ministerial prevista para a quarta-feira - dia em que o mercado retoma os negócios. Se a rusga provocada pelo inoportuno discurso de Carvalho, durante seminário promovido na semana passada pelo PSDB sobre desenvolvimento e estabilidade, tivesse como saldo a demissão do ministro da Fazenda, Pedro Malan, a perspectiva seria outra. O mercado teme, sim, o desmonte da "dobradinha" Malan-Fraga, dado o reconhecido trânsito do ministro e do presidente do Banco Central na comunidade financeira internacional.
Quanto à disputa pelo poder dentro do Ministério FHC e o debate rotulado de oposição entre "desenvolvimentistas" e "monetaristas" profissionais da área financeira não se iludem e acreditam que eles persistirão, inclusive, porque são úteis ao governo - podem servir de pretexto para novos ajustes a qualquer momento de forma a assegurar que o segundo mandato de FHC decole.


