Brasília, 03 (AE) - Em meio ao debate nacional sobre desenvolvimento econômico, o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Sergio Werlang, afirmou que a economia brasileira só poderá crescer acima de 4% ao ano se houver um aumento de produtividade correspondente. Na avaliação de Werlang
um ritmo de atividade econômica acima de 4% sem ganho de produtividade teria um efeito inflacionário indesejável. "O crescimento, com isso, pode ser mais alto, sem pressões inflacionárias", comentou.
Sem a contrapartida de um ganho de produtividade, o diretor acredita que a economia pode crescer até 4% ou um pouco mais sem correr os riscos de uma retomada da pressão inflacionária. O diretor considera que o percentual de 4% de crescimento é "pouco" quando visto isoladamente em um ano. "Se a economia crescesse 4% em um ano e depois não, seria pouco. Mas, crescer 4% ao ano durante muito tempo é um crescimento muito bom", afirmou.
Ele discordou da visão de que há dentro do governo uma divisão entre defensores do crescimento econômico e os da estabilidade econômica. "Não há dicotomia", afirmou. Segundo ele, o projeto desenvolvimentista do governo Fernando Henrique Cardoso é o próprio Plano Plurianual (PPA), que foi feito dentro das restrições orçamentárias e cumprindo o negociado pelo governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "O PPA é exatamente isso. É crescimento com austeridade fiscal", afirmou.
Emprego - Werlang afirmou que não tem dúvidas de que haverá queda das taxas de desemprego. Para ele, essa tendência de queda já começou, a despeito das previsões pessimistas de alguns economistas, de que o desemprego iria bater a casa de 12% em março passado. Segundo ele, a taxa de desemprego de 7,5% registrada em julho já mostra uma resposta da retomada da atividade econômica. "Não é uma maravilha e não chega a ser uma performance estelar, mas já é bem melhor do que estava sendo antecipado", afirmou.
O diretor do BC defendeu a proposta de reforma trabalhista do ministro Francisco Dornelles. "A proposta é muito boa". Werlang disse que o Banco Central já trabalha com uma previsão de crescimento positivo da economia em 99. "Meio por cento é um bom número", disse ele, sem, no entanto, se comprometer com um número fechado. Ele adiantou que o BC vai divulgar as suas projeções de Produto Interno Bruto (PIB) acumulado nos últimos 12 meses no próximo Relatório de Inflacão, que será divulgado no dia 30 de setembro.
O Banco Central (BC) espera divulgar em aproximadamente 15 dias as conclusões de um amplo estudo sobre as causas do diferencial entre os juros bancários e a taxa básica da economia. Sem querer adiantar nenhuma destas conclusões, Werlang disse que será dada ampla divulgação das taxas de juros cobradas pelos bancos. Uma idéia, segundo o diretor do BC, é que os juros dos bancos sejam colocados na Internet e ainda avisados aos grandes jornais. Uma outra possibilidade, de acordo com Werlang, seria obrigar os bancos a colocar estas taxas nas agências de uma forma visível para a clientela.

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