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segunda-feira, 30 de agosto de 1999
Por Edmilson Ferreira 
Rio Branco, 31 (AE) - O Governo do Acre defendeu hoje a libertação dos sem-terra Cosme Freire Sampaio e Alonso Coutinho, presos na cadeia de Boca do Acre (AM) desde a semana passada. Eles são acusados de iniciar o tiroteio que acabou com a morte do sem-terra Antonio Freire Sampaio, na quinta-feira, durante ação policial para desocupar o Seringal Pirapora, a 80 quilômetros de Rio Branco, na fronteira do Acre com o Amazonas.
A Procuradoria Geral do Estado conseguiu da Justiça do Acre e do Amazonas a suspensão temporária do cumprimento da liminar que determinava a desocupação. "O Estado está fornecendo alimentação, transporte e moradia para os agricultores desabrigados", disse Sibbá Machado, secretário estadual de Abastecimento.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Sindicato dos Pequenos Agricultores e Seringueiros do Acre (Sinpasa) e a Federação dos Trabalhadores na Agricutura (Fetarcre) contrataram advogados para cuidar do caso. Eles vão encaminhar pedido de habbeas-corpus para os agricultores. O Seringal Pirapora foi invadido por 120 famílias há três anos. No ano passado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Ouvidoria Agrária do Tribunal de Justiça do Acre conseguiram remover e assentar 70 famílias no projeto Caquetá. As restantes esperariam a definição dos limites da área.
Tortura - A mãe de Antonio e Cosme, Eunice Pires Lourenço, afirmou que o primeiro foi morto enquanto dormia e o outro, preso, vem sofrendo tortura na delegacia. Segundo ela, Cosme apanhou da polícia para assinar a autorização de remoção do cadáver do irmão para Boca do Acre.
A PM amazonense diz que foi recebida a bala pelos sem-terra e nega a versão dos posseiros. Na confusão, o soldado Salomão Farias foi baleado. Seis casas foram queimadas e até a tarde de hoje vários agricultores ainda estavam desaparecidos, segundo o presidente do Sinpasa, José Valdir, que esteve no local.
Os superintendentes do Incra do Acre, Waldir Dorini, e do Amazonas, George Tasso, se reuniram hoje com parte dos agricultores em Rio Branco. "A solução não virá a curto prazo. Temos de negociar a remoção das famílias, pelo menos por algum tempo", disse Dorini. O presidente da Fetacre, João de Deus, disse que os sem-terra não vão abandonar a área. "Ainda mais agora, com um posseiro morto".


