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segunda-feira, 30 de agosto de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 31 (AE) - Acareados hoje os jurados Sílvio Mendonça e Fernando Brito, que integram o júri do processo de Eldorado dos Carajás, onde 19 trabalhadores sem-terra foram mortos por policiais militares, mantiveram declarações anteriores. Mendonça negou ter tentado subornar Brito para absolver o coronel Mário Pantoja na primeira sessão do julgamento. Brito garante que a proposta foi feita.
O delegado Vicente Costa, diretor da Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe) da Polícia Civil do Pará, acredita que a quebra do sigilo telefônico e bancário dos jurados poderá revelar se houve ou não tentativa de suborno. Costa informou que pedirá amanhã (01) à Justiça a quebra do sigilo bancário e telefônico de Brito, o mesmo que fez ontem (30) em relação a Mendonça.O que os dois jurados falaram nos últimos seis meses, antes e depois do julgamento, tanto de seus telefones convencionais como nos celulares, "ajudará bastante a esclarecer os fatos", acredita o delegado.
Não minta - Durante a acareação Mendonça foi enfático: "Nunca conversei com este senhor sobre isso. Aliás, jamais mantive qualquer contato com ele". Brito reafirmou a conversa sobre suborno, mas garantiu que ela foi feita em "tom de brincadeira". E, olhando para Mendonça, disse: "Você falou, sim, não minta". De acordo com o delegado, foi "palavra contra palavra".
O jurado Cláudio Ozela, que teria ouvido Mendonça fazer a Brito a proposta de suborno de R$ 3 mil em favor da absolvição do coronel Pantoja, iria depor hoje na Dioe, mas deverá ser ouvido em outra data, segundo informou o delegado. Após a acareação Mendonça registrou queixa na polícia de um suposto atentado. Ele disse que, na madrugada de hoje vários tiros danificaram a lataria de seu automóvel, estacionado próximo ao local onde mora. //FIM/RGR/REDAEGER/


