Salvador, 31 (AE) - A juíza Olga Guimarães, da comarca de Juazeiro, a 500 quilômetros da capital baiana, determinou hoje o fechamento da sala de investigações da delegacia do município de Casa Nova, a pedido do promotor Sebastião Coelho. Há indícios de que o local estava sendo utilizado para torturar presos. Pedaços de fios elétricos, sacos plásticos e outros instrumentos, supostamente usados pelos policiais nas sessões de tortura, foram apreendidos e encaminhados para exames periciais no Complexo Policial de Juazeiro.
O delegado de Casa Nova, Adaílton Adan, acusado de comandar as torturas, foi mantido na função. Ele é acusado pelos presos Márcio Gomes, de 29 anos, e Edvaldo Miranda, 35, de tê-los espancado. Gomes e Miranda foram presos há dez dias, sob a acusação de roubarem placas de silício, usado por fazendeiros da região para captar energia solar. "O delegado me torturou oito dias seguidos", disse Miranda na frente do promotor e da juíza.
Gomes mostrou aos representantes da Justiça como eles teriam sido torturados. Primeiro, pegou um saco plástico e colocou na cabeça, simulando o asfixiamento. Depois, usou dois fios com pontas desencapadas os quais enfiou na boca, para mostrar onde os policiais costumavam dar os choques elétricos.
Caso os exames periciais comprovem as torturas, o promotor Coelho vai denunciar o delegado Adan à Justiça para que ele seja processado. O delegado negou as acusações. "Quem tem culpa faz de tudo para se eximir dela e nessa hora todos os artifícios são válidos", disse.

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