São Paulo, 31 (AE) - Quietos, confiantes na absolvição da vereadora Maeli Vergniano (sem partido) e alegando discriminação por causa da religião, os evangélicos posicionaram-se hoje em frente à Câmara Municipal para aguardar os resultados do julgamento em plenário da cassação da parlamentar, cujo eleitorado é formado principalmente por fiéis da Assembléia de Deus.
Eles vieram organizados, em ônibus, e dispostos a perdoar Maeli por qualquer irregularidade que tenha cometido desde que foi eleita vereadora. Muitos sabiam das denúncias. Outros, afirmavam desconhecer as razões da "excursão" ao centro de São Paulo. "Nós a elegemos e não acreditamos nas denúncias; mas se ela errou, será perdoada como todos os irmãos", disse o pastor Antonio Moresno. "Ela é uma serva de Deus." Os fiéis estavam espalhados do lado de fora do Palácio Anchieta e apertados na galeria. Até mesmo o gabinete de Maeli foi ocupado pelos membros da igreja, que fizeram uma corrente de oração, enquanto ouviam, atentos, o que ocorria no plenário. "Somos cristãos e vamos orar por ela", declarou Moreno, que aguardava de pé, no gabinete de Maeli, o desfecho da votação.
Divina Antonia de Carvalho, de 69 anos, e seu marido, José Ramos de Carvalho, de 73 anos, deixaram o bairro de Vila Maria, onde moram, às 7h40. Tomaram um ônibus fretado e desembarcaram na sede do Legislativo, que nunca visitaram. Do lado do casal estava a pesquisadora Elenice dos Santos, de 43 anos. Ela não acompanhou o processo e não sabe das acusações contra a parlamentar, mas tem certeza de que Maeli é inocente. "Se algum vereador atirar uma pedra ela pode ser cassada injustamente", acreditava Elenice, que foi chamada pelo grupo religioso a que pertence para comparecer à Câmara.
José Félix, de 64 anos, era outro que mal sabia o que fazia na Casa."Sei mais ou menos", afirmou. "Mas vou apoiá-la de qualquer forma. Félix veio de São Miguel Paulista e aparentava cansaço. Entre alguns bocejos, entoava com colegas: "Maeli é inocente."

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