São Paulo, 31 (AE) - Um grupo de perueiros protestou hoje, em frente à Câmara Municipal, pela aprovação do projeto de lei que regulariza 4,3 mil lotações na cidade. Ao contrário da semana passada, o movimento foi tranquilo e não foi registrado nenhum incidente. O projeto, de autoria do prefeito Celso Pitta (sem partido), deve ser votado esta semana. Segundo os perueiros
mil pessoas compareceram à manifestação. Para a Polícia Militar
o número não passou de 200.
Os manifestantes chegaram ao Palácio Anchieta no início da madrugada. A intenção inicial era estacionar seus veículos no Viaduto Jacareí, em frente à Câmara. Para evitar tumultos no trânsito, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) impediu o trânsito no viaduto durante a noite, o que obrigou as lotações a ficarem estacionadas nas ruas próximas à sede do legislativo municipal.
Por volta das 11 horas, líderes da Comissão Pró-Ampliação do Sistema de Lotação no Município de São Paulo, ligado ao sindicato da categoria, reuniram-se com o vereador Milton Leite (PMDB). Após a promessa de que o projeto será votado na próxima quinta-feira, os perueiros começaram a dispersar e, às 12 horas, a manifestação já tinha se encerrado.
"O vereador nos explicou que não haveria votação por causa do processo de cassação da vereadora Maeli Vergniano", disse um dos membros da Comissão, Paulo Roberto dos Santos. Na reunião, Leite ligou para o presidente da Câmara, Armando Mellão (sem partido) e ficou acertado que o projeto deve ser levado a plenário na quinta.
Segundo Santos, os colegas foram orientados a evitar confrontos e os problemas que ocorreram na semana passada, quando o Batalhão de Choque da Polícia Militar entrou em choque com motoristas e cobradores de ônibus da capital. "Queremos sair da marginalidade e entrar na cidadania", disse André Luis Pereira, que faz uma linha que liga a Cidade Tiradentes à estação Itaquera do Metrô, na zona leste. Ele lembra que quando o bairro ainda não tinha a infra-estrutura necessária para a população, na década de 80, as peruas eram o principal meio de transporte na região.
O fim da discriminação dos próprios passageiros é a maior vantagem do projeto de lei, segundo o perueiro Jó Antonio da Silva. "Muitas pessoas têm medo de andar em uma perua clandestina", justificou.
Na quinta, a categoria deve reunir-se novamente em frente à Câmara para pressionar os vereadores. "Só queremos trabalhar em paz", disse Santos.

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