Brasília, 31 (AE) - A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Glaci Zancan, cobrou hoje a continuidade dos investimentos em ciência e tecnologia no País. "O investimento uniforme é uma característica dos países líderes", afirmou ela, durante encontro preparatório para a 52.ª reunião da SBPC, marcada para julho, em Brasília.
Um dos problemas que o setor enfrenta no Brasil é a descontinuidade na liberação de recursos. Presente ao encontro, o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, disse que a proposta orçamentária do governo federal para o ano 2000 deve "pelo menos" manter os valores disponíveis para o ministério este ano.
Glaci defendeu a definição de políticas de longo prazo, que não sofram alterações profundas a cada novo mandato presidencial. "Os governos passam", declarou ela. A SBPC quer também critérios mais rígidos para a lei de incentivos fiscais, que concede isenções a empresas que investem em pesquisa. "A isenção deve servir apenas para desenvolvimento tecnológico e não para a simples compra de equipamentos", disse ela.
Segundo Sardenberg, o problema da ciência e tecnologia não se resume à obtenção de mais verbas, mas à criação de condições para aplicar o dinheiro da melhor forma possível. Ele defendeu o debate com a sociedade para identificar as necessidades mais imediatas, o que inclui ações para corrigir desigualdades regionais. "Mas primeiro é preciso ter um diagnóstico", afirmou o ministro.
A SBPC vai promover encontros em diversos Estados para discutir a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico nacionais. "Queremos levantar as potencialidades do País", disse Glaci, incitando seus colegas de academia a informar à sociedade sobre o trabalho científico que desenvolvem: "A população brasileira não tem idéia do que é produzido nas universidades e nos institutos de pesquisa", observou ela. "O problema é que nos comunicamos muito mal."

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