Campo Grande, 31 (AE) - Aumenta o número de incêndios em fazendas de Mato Grosso do Sul. Segundo dados fornecidos pela Superintendência Regional do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), de ontem (30) para hoje (31) foram registrados 409 novos focos de fogo no Estado. Este mês aconteceram 2.372 incêndios em fazendas, contra apenas 220 ocorrências do gênero, no mesmo mês e período do ano passado. De janeiro a julho últimos, aconteceram 573 casos.
Esses números assustam os técnicos do Ibama, que declaram terem perdido o controle da situação. Diante desse quadro, o órgão solicitou, através do Ministério de Meio Ambiente, ajuda do Exército e da Aeronáutica para auxiliá-los no combate ao fogo. O coordenador do Prevfogo do Ibama, Márcio Yule, disse que pelo menos 90% dos incêndios são feitos por iniciativas dos próprios fazendeiros, aproveitando a maneira barata de limpar pastagens. "Tudo começa com uma simples queimada, mas o fogo foge ao controle e acaba atingindo grandes proporções, consumindo, além do pasto, reservas ecológicas inteiras, com toda a vida existente nesses locais."
Ele adiantou que, a partir de amanhã (01) todos os recursos burocráticos e judiciários serão utilizados contra os fazendeiros, visando a reduzir o número de incêndios em todo o Estado. A princípio, será aplicada uma multa que poderá atingir até R$ 6 mil. Em seguida, a autuação será encaminhada ao Ministério Público, onde a Promotoria de Justiça e Defesa do Meio Ambiente formará um processo, acusando o infrator por crime ambiental. O processo é levado ao Poder Judiciário para as providências finais, que poderão resultar em prisão de 6 meses a 2 anos, e recomposição obrigatória da área degradada.
Os incêndios rurais estão trazendo muitos problemas em todo o MS. Com a baixa umidade relativa do ar, que oscila entre a máxima de 23% e a mínima de até 17%, a densa cortina de fumaça que encobre o céu traz toneladas de fuligem, prejudicando altamente a qualidade do ar.
Desde terça-feira da semana passada, o Aeroporto Internacional de Corumbá, que serve de escala para vôos da Bolívia, está interditado para pouso e decolagem. No Estado inteiro, o tráfego de pequenas aeronaves também está suspenso, principalmente na região pantaneira, onde esse tipo de transporte é largamente utilizado pelos fazendeiros.
Na falta de pastagens, os pecuaristas estão vendendo o gado para corte com, no máximo, 16 arrobas, quando o peso ideal seria com, no mínimo, 18 arrobas. Em pelo menos 70 fazendas de gado no MS, o rebanho bovino foi afetado pelos incêndios. Segundo a Polícia Militar Florestal, não existe ainda uma estimativa desses prejuízos, mas acredita-se em centenas de cabeças mortas e outras centenas que receberam queimaduras graves, notadamente nos cascos, que devem ser sacrificadas.
Os florestais lamentam o desaparecimento de milhares de ninhos nas áreas mais arborizadas, justamente no período em que os ovos já eclodiram e os filhotes nasceram. Não existem previsões de chuvas para o MS desde o dia 5 de julho último. Além das pastagens ressecadas, os rios baixaram seus níveis ao máximo. No maior rio do Pantanal, o Paraguai, existem trechos onde a profundidade está abaixo de um metro.

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