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segunda-feira, 30 de agosto de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 31 (AE) - A Igreja Católica e o Centro Espírita Templo de Umbanda "Sete Giras" trabalharam em conjunto para elaborar a cartilha "Deus na Escola", adotada pelos estabelecimentos de ensino público e particular de Sorocaba, a 98 quilômetros de São Paulo. O manual, contendo ensinamentos bíblicos, faz parte de um projeto da Secretaria Municipal de Educação para difundir o ensino religioso nas escolas.
Representantes de outras igrejas, como a de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, dos mórmons, a Batista Central de Sorocaba, a Evangélica Luterana do Brasil, a Presbiteriana do Brasil, a do Evangelho Quadrangular e a União Social Espírita participaram da discussão e elaboração dos textos. "Convidamos todas as entidades religiosas com existência formal na cidade", disse a secretária de Educação, Sheila Katzer Bovo.
A idéia da cartilha nasceu a partir da dificuldade sentida pelos professores para falar sobre religião nas escolas, segundo a secretária. "Notamos que muitos professores procuravam falar sobre Deus, mas o faziam timidamente, receosos da rejeição dos pais." Outros, segundo ela, se omitiam por segurança, temerosos em discorrer sobre algum ponto que ferisse doutrinas. "Quando concebemos o projeto, a principal dificuldade era o grande número de religiões e o risco de produzir algo que não satisfizesse a todas."
A saída, segundo ela, foi convidar todas as entidades religiosas para participar do projeto. Não houve resistência à ampla participação, nem mesmo das igrejas mais tradicionais, como a católica, representada pela Arquidiocese de Sorocaba, e a Presbiteriana. "Formamos uma comissão com representantes das diversas religiões e pudemos contar, entre eles, com advogados, pedagogos e estudiosos, com profundo conhecimento bíblico." A cartilha, que começou a ser distribuída há um mês, aborda temas como o amor, a família, a fé e a vida, a partir de conceitos bíblicos.
O manual é dirigido a professores, principalmente os do ensino fundamental. A abordagem dos temas religiosos é livre, embora a secretária tenha recomendado que, nas escolas municipais, o professor reserve a última aula de um dia da semana para tratar da religião.
Durante a aula são permitidos cânticos e orações. O interesse foi tão grande que a tiragem inicial, de duas mil unidades, está praticamente esgotada. Outras cidades pediram informações sobre o projeto, segundo Sheila Bovo. "A permanência dos alunos em classe não é obrigatória, mas a maioria tem se interessado", disse.


