São Paulo, 29 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que a execução do Plano Plurianual, a ser anunciado pelo governo na terça-feira (31), deverá criar 8 milhões de empregos no País. "Se isso tudo der certo, estaremos criando 8 milhões de empregos até o ano 2003", disse hoje à noite, em entrevista ao programa Passando a Limpo, da TV Record. Ele condicionou o alcance desta meta à tranquilidade política. "Isso se não tivermos situação de tumulto político, não ficarmos no zigue-zague."
Para o presidente, o Avança Brasil, como ele chama o plano, é "um projeto de desenvolvimento para o País", um programa que vai "estimular o crescimento". O tom do Plano será social-democrata. "Não é deixa que o mercado resolve, porque o mercado não retira crianças do trabalho penoso", disse. "Não vamos fazer gastança, não vamos fazer inflação, nem gastos fortes sem fonte de recursos." O presidente disse estar consciente de que, em relação à sociedade, "a corda está muito esticada, não dá mais para esticar."
De acordo com o presidente, a dívida interna e externa do País é de R$ 480 bilhões. Deste total, R$ 380 bilhões são da dívida interna, que paga juros de 20% ao ano. A externa, de longo prazo, tem taxas de juros de menos de 10% ao ano. O total das dívidas representa 49% do PIB. "A meta é uma só: diminuir o peso da dívida sobre o governo", disse ele. "Estamos começando a sair do sufoco, esta dívida interna deriva do desequilíbrio das contas públicas, basicamente por causa do deficit previdenciário." Fernando Henrique disse que não vai disputar espaços com o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Ele criticou declaração de ACM de que não haveria aumento da gasolina por um ano. "Foi uma expressão que não é certa, pois não vai haver congelamento, o preço vai ser liberado, vai descer e subir", disse. "Se eu estivesse inseguro de quem é que manda, ia dizer (ACM) passou a perna em mim, mas isso não é liderança. Não vou discutir quem manda, sou eu, é lógico que é assim."
Fernando Henrique Cardoso falou das divergências com o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). Disse que sempre foi grato a Itamar "Agora ele está com birra e birra é coisa de criança." Também comentou sobre o pedido de sua renúncia feito pelo líder do PDT, Leonel Brizola. "O Brizola foi contra o impeachment do Collor", lembrou. "Esta é mais uma cabeçada dele."
O presidente amenizou a saída de tucanos do partido, caso do senador Artur da Távola (RJ) e do deputado Émerson Kapaz (SP). "Quem está saindo é para disputar cargos", disse, referindo-se a Kapaz, que pode ser o candidato do PPS à Prefeitura de São Paulo. Sobre Távola, que deixou o partido fazendo várias críticas ao partido, disse que o senador tem suas razões, mas "elas devem-se a espaço político".

mockup