PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de agosto de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 30 (AE) - Os 25 policiais lotados na Delegacia de Repressão a Crimes contra a Saúde começaram hoje a fazer um curso de especialização no Instituto Noel Nutels, no Rio. O objetivo é melhorar a qualidade da fiscalização, tanto na identificação de delitos quanto na produção de provas a serem levadas à Justiça. A Delegacia existe há cerca de um ano e foi criada após a descoberta de remédios falsificados contra câncer e aids, no início de 98.
"Nesse período notamos que o Noel Nutels e a Delegacia tinham os mesmos objetivos, mas a troca de informações era lenta e, às vezes, falha", disse o diretor do Instituto, o biólogo Oscar Berro. "Este curso vai reduzir estas dificuldades e, principalmente, diminuir o prazo do intercâmbio de dados para tornar os laudos mais efetivos." Os policiais recolhem os produtos sob suspeita, fazem a ficha para envio ao Instituto que os examina e remete o laudo para o inquérito.
O delegado titular de Repressão a Crimes contra Saúde, Jomar Sarkis, explicou que, ao formar sua equipe, escolheu policiais experientes e percebeu a necessidade de que fizessem especialização, pois atuam numa área específica. "Até agora, atuamos atendendo a denúncias e sabemos que muitos delitos podem ter passado despercebidos por falta do conhecimento de nossos policiais", disse.
O curso ensinará os agentes, entre outros, a identificar as infrações à lei e a preencher adequadamente a ficha de identificação do material apreendido para produzir corretamente provas que mais tarde serão usadas no inquérito policial e no julgamento. Tanto a Delegacia quanto o Noel Nutels fiscalizam remédios, produtos alimentícios, material de laboratório, cosméticos e desinfetantes.
"Este primeiro curso tem 40 horas-aula, mas numa segunda etapa vamos especializar ainda mais estes policiais para cada um fiscalizar um tipo de produto", explicou Oscar Berro. "Só pelas questões levantadas nessa primeira aula já notamos que alguns agentes se interessam mais por medicamentos, outros por desinfetantes".
O delegado Jomar Sarquis reconhece que a equipe de 25 policiais é pequena para atuar em todo o Estado do Rio, com mais de 50 municípios, mas prefere especilizá-los a aumentar o efetivo. "É melhor trabalhar com pouca gente preparada do que com muitos agentes sem preparo."


