Brasília, 30 (AE) - Os focos de calor aumentaram assustadoramente em várias regiões do País, principalmente no arco do desmatamento - que compreende do sul do Pará até o Acre - atingindo também o Pantanal, no Mato Grosso do Sul. Os focos de calor no Estado subiram de 270 em julho, para 1.769 este mês. A fumaça das queimadas já está causando prejuízos em várias partes da Amazônia, como no Acre, onde os vôos estão sendo cancelados por causa da falta de visibilidade.
Segundo imagens transmitidas pelo satélite NOAA-12, o Estado onde existe maior número de focos de calor é Mato Grosso, com 9.101 pontos, que podem representar queimadas. Em segundo está o Pará, com 4.526 focos, seguido por Mato Grosso do Sul. No mês passado, o próprio ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, havia confirmado que, apesar da diminuição das queimadas em julho, a situação iria se agravar em agosto e setembro.
Em Mato Grosso, o número de queimadas aumentou em quase 700%, sendo que em julho foram registrados apenas 1.971 focos, quase sete mil a menos que este mês. No Pará, o aumento foi de quase quatro mil focos de julho para agosto, enquanto que no Mato Grosso do Sul, o acréscimo foi de 1.500 focos. Os números tabulados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mostram que o quarto lugar em queimadas é São Paulo, com 812 focos, número bem abaixo dos três primeiros colocados.
Fumaça - O Instituto do Meio Ambiente do Acre (Imac) está estudando uma forma de fazer os Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará, responsáveis pela emissão de fumaça, a pagar uma indenização.
Segundo dados do Ibama, no Acre só foram registradas sete queimadas, mesmo assim em pequenas proporções. Entretanto, todos os dias, principalmente pela manhã e no final da tarde, o céu fica encoberto por causa do fumaceiro.
Na semana passada, pelo menos cinco dos oito vôos diários para Rio Branco e Cruzeiro do Sul sofreram atrasos. Na quinta-feira, por exemplo, o Boeing da Varig que deveria sair da capital do Estado para São Paulo, às 8h50m, só conseguiu pousar depois da 15 horas. Mesmo assim, a pista ainda oferecia perigos. Segundo os pilotos que trabalham na região, a visibilidade permitida para o pouso de um Boeing é de 2.400 metros, mas nos últimos dias, a visibilidade diminui pela metade.

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