Salvador, 30 (AE) - A Associação dos Travestis de Salvador (Atras) realiza, amanhã (31), uma manifestação em frente à Secretaria de Segurança Pública do Estado para protestar contra as prisões de travestis na capital baiana. Segundo a entidade, desde o início do ano a polícia realizou 253 prisões de pessoas que atuavam na prostituição na orla marítima e centro de Salvador. As duas últimas prisões teriam sido registradas na sexta-feira. De acordo com a associação, os travestis conhecidos como Monique e Michele, contratados pelo Ministério da Saúde para o trabalho de prevenção à aids junto à categoria, foram detidos. Os policiais teriam desconsiderado a carteira de associadas da Atras que portavam, bem como a caixa com centenas de preservativos que seriam distribuídos naquela noite. A presidente da entidade, Andrezza Belushi reconhece que alguns travestis não se comportam adequadamente, circulando seminuas ou roubando os clientes - "essas deveriam ser processadas de acordo com a lei", defende -, mas afirma que a Constituição garante a liberdade de ir e vir de todos.
"Essas prisões são ilegais", sustenta. "Além disso, os jornais estão inundados de anúncios ofertando sexo, as emissoras de TV mostram diariamente mulheres seminuas, sem falar nas danças obcenas", argumentou o presidente do Centro Baiano Anti-Aids, Marcelo Cerqueira, ressaltando que não se pode impedir que os travestis trabalhem numa situação de desemprego tão grande. Os travestis querem ser recebidos pela secretária de Segurança, Kátia Alves, para pedir a ela o fim das "prisões arbitrárias".

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