Salvador, 30 (AE) - A sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Salvador recebeu, na madrugada de hoje, mais 250 trabalhadores rurais sem-terra. Os manifestantes se juntaram a outros 500 lavradores que estão acampados desde segunda-feira na área externa do prédio. Outros 250 trabalhadores rurais são esperados até o final do dia para formar um contigente de mil pessoas no órgão. O objetivo dos sem-terra é pressionar os diretores do Incra a receber uma comissão dos trabalhadores.
Um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na Bahia, Walmir Assunção, afirmou que o superintendente regional do instituto, Francisco Clesson, "está complicando uma situação fácil de resolver". "Queremos apenas conversar com algum diretor do órgão para saber como está o cumprimento das nossas últimas reivindicações", disse. Em abril
o MST indicou 30 áreas abandonadas para serem vistoridas. Os sem-terra reivindicam a desapropriação de outras 18 fazendas já foram vistoriadas. Pedem ainda a liberação de R$ 12,5 milhões de crédito agrícola, que já teriam sido autorizados pelo Ministério da Política Fundiária e a efetivação do programa de habitação e financiamento que garante R$ 2,5 mil a seis mil famílias cadastradas do MST. Segundo Assunção, os trabalhadores esperavam voltar para suas terras no mesmo dia que chegaram ao Incra. "Diante da intransigência, tivemos de ficar", disse.
Os sem-terra não cogitam entrar no prédio do órgão, embora tenham tomado todo o jardim e o pátio do instituto, montando barracas e espalhando faixas com palavras de ordem. "Não podem nos acusar de ocupação porque não entramos no prédio", argumenta Assunção. O Departamento Jurídico do órgão, porém, pretendia ingressar ainda hoje com um pedido de reintegração de posse na Justiça baiana.

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