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sábado, 28 de agosto de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 29 (AE) - Duas pessoas conversam calmamente em um bar ou restaurante e, de repente, o clima é quebrado pelo toque de um estridente celular e pela voz alta do dono do aparelho que atende ao chamado. O incômodo é tão comum que a Federação Nacional de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares resolveu iniciar esta semana, por Brasília, uma campanha pela disciplina no uso do telefone móvel nos estabelecimentos.
A campanha pretende apenas orientar os usuários a desligarem o aparelho ou acionarem o dispositivo de vibração, como nos teatros e cinemas. "É uma forma de usar o bom senso e a ponderação", afirma o vice-presidente da Federação, César Gonçalves.
Gonçalves conta que a Federação vem lutando para evitar o surgimento de legislação que venha a proibir o uso de celular. "Não é o caso", diz ele. "É claro que o restaurante precisa de clima de tranquilidade, mas não necessariamente de silêncio absoluto", explica.
"Ao mesmo tempo temos clientes que se incomodam com o toque e com pessoas que falam alto", diz o vice-presidente da Federação. Por isso, foi idealizada a campanha educativa.
Inicialmente, a Federação começará abordando os empresários do setor, para depois chegar aos clientes. A idéia é transmitir mensagens ao usuário do celular por intermédios dos marcadores ou prismas de mesa, já usados para avisar que a mesa está reservada e para dividir áreas de fumantes e não fumantes.
O teor da mensagem, porém, ainda está em discussão. "Não pode ser um texto leve ou rigoroso demais", explica o vice-presidente da Federação.
Todo o cuidado é pouco, porque o empresariado tem medo de espantar a clientela, ainda mais em momento de crise. "Por isso mesmo, vamos trabalhar primeiro para ganhar a adesão dos donos de bares e restaurantes, senão não funciona", justifica Gonçalves. Em restaurantes onde houver mais espaço, a federação vai sugerir a criação de ambiente específico para as conversas por celular.
Brasília será o laboratório para testar a campanha. "Brasília é bom para isso; é só ver o sucesso da campanha de trânsito", disse Gonçalves. A escolha também levou em conta o fato de a cidade ter 450 mil celulares para dois milhões de habitantes, ou seja, 0,22 aparelho por pessoa. Em seguida, a campanha vai para o Rio de Janeiro, sede da Federação, para, depois, seguir em outros Estados, incluindo São Paulo.


