PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 26 (AE) - O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, do PMDB, cobrou hoje mais união da base governista em torno do presidente Fernando Henrique Cardoso, numa crítica velada ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, seu companheiro de partido. "Eu pessoalmente acho que todos os partidos da base governista teriam que ter mais responsabilidade com a sustentação do governo e do seu programa, que é de responsabilidade de todos nós", afirmou.
Temer disse que a Marcha dos Cem Mil, organizada pelos partidos de oposição e centrais sindicais, hoje em Brasília, serve como um "alerta" para que o governo reveja a sua política econômica. A crítica foi considerada pelo deputado José Genoíno (PT-SP) uma declaração "sensata e ajuizada, de um estadista".
"Seguramente, essa mensagem (de Temer) será assimilada pelo presidente no contexto que nós estamos vivendo no País", disse Padilha, depois de palestra a estagiários da Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio. "Mas acho que a base de sustentação deve ter mais compromisso com o governo nesse momento, dando apoio ao programa que ela ajudou a construir e pelo qual todos nós são responsáveis."
A crítica do presidente da Câmara ao governo é a segunda em menos de uma semana. Em entrevista ao Grupo Estado, na última terça-feira, Temer chegou a criar um termo novo - "planaltização" - para dizer que o presidente Fernando Henrique tem ficado distante do Brasil real nesses últimos meses
quando amargou índices muitos baixos de popularidade.
Segundo Temer, o governo precisa "tirar a casca de planaltização que o envolve", buscar informações nos Estados sobre a realidade do País e deixar de jogar a culpa pela falta de ajuste fiscal no Congresso. Para isso, o presidente da Câmara defendeu um novo reforço na articulação política, sem, no entanto, citar nomes.
Eliseu Padilha disse ainda que não é hora de os partidos governistas, inclusive o PMDB, anteciparem o cronograma eleitoral. "Não haverá 2002, sem antes passarmos por 2000 e por 2001", afirmou. "Penso que temos uma trajetória e será nesse curso que vamos construir uma viabilidade ou não para as eleições de 2002." O ministro dos Transportes, porém, não acredita que Temer nem ninguém da base governista estejam querendo se utilizar de movimentos "típicos da oposição" em favor de projetos eleitorais pessoais.


