Brasília, 26 (AE) - A Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Distrito Federal calcula que, no momento de pico, entre 13 e 14 horas, a Marcha dos Cem Mil reuniu cerca de 130 mil manifestantes.
Na mesma hora, a Polícia Militar tinha uma avaliação de 60 mil. No Rio, o governador Anthony Garotinho (PDT) disse hoje que apóia a Marcha dos Cem Mil, mas é contrário ao uso de dinheiro público para financiar a organização do movimento.
"Eu sou totalmente a favor, mas não posso botar dinheiro público do Estado para financiar ato contra o governo federal", disse Garotinho, após solenidade no Batalhão de Choque da PM, no centro da cidade.
Segundo ele, os organizadores do protesto queriam que o governador pagasse o aluguel de ônibus para levar manifestantes a Brasília. "Eu não consultei os eleitores do Rio de Janeiro, se são contra ou a favor o governo Fernando Henrique", disse.
"Além do mais, a Constituição não me garante pegar o dinheiro do Estado para pagar lanches e transportes para manifestantes." Garotinho afirmou que fez uma doação com recursos próprios para pagar o aluguel dez ônibus.
O presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, disse, no palanque armado na frente do Congresso, que, se o governo fala em golpe, a manifestação de hoje foi "o primeiro golpe no presidente Fernando Henrique Cardoso".
O presidente usou a TV e os jornais "para dizer que a gente não vinha", lembrou Vicentinho. "Mas nós viemos de bicicleta, de ônibus, de carro e de avião."
O outro golpe, segundo Vicentinho, foi dado "no ACM" (referência ao presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães, do PFL da Bahia), que disse que o movimento poderia provocar a violência.
"Mas a violência que está sendo praticada é a da organização", afirmou. "A grande mídia disse que era golpe porque a gente vinha às ruas; mas golpe é a mentira do julgamento de Eldorado dos Carajás (PA); golpe é a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), a demissão de trabalhadores da saúde; o maior golpe é o golpe do FMI (Fundo Monetário Internacional)", sustentou o presidente da CUT. Vicentinho disse também que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, "não tem sequer capacidade para conduzir a política econômica do País" e indagou se ele visitou o Vale do Jequitinhonha.
"Não visitou, mas toda semana pega sua malinha e já tem cadeira privada para ir aos Estados Unidos", respondeu Vicentinho. Ele exortou os participantes a continuar a luta por mudanças.
"Este movimento não pode terminar aqui", estimulou, lembrando que o movimento não vai se dividir só porque não conseguiu chegar a um consenso sobre a palavra de ordem para a manifestação de hoje, se "Fora, FHC" ou "Basta, FHC".
Ao lembrar que muitas pessoas dizem que tais palavras de ordem são contra a Constituição, o presidente da CUT questionou: "Para aprovar a reeleição, o Fernando Henrique não mudou o jogo
não comprou voto?"
O presidente da CUT comunicou aos participantes da marcha o cronograma das próximas manifestações por mudanças da campanha do "Fora, FHC".
A primeira delas está marcada para o dia 7, em todo o País, nas cidades e nas escolas, e sobretudo com a missa nacional do Dia dos Excluídos, em Aparecida, no Vale do Paraíba (SP), segundo Vicentinho, "para incorporar a todos nessa luta do "Fora, FHC".
Vicentinho pediu apoio para a segunda, que é a greve dos metalúrgicos do setor automotivo, marcada para o dia 14. Na terceira, em 3 de outubro, todas as entidades de classe deverão fazer uma marcha em defesa da educação.
A quarta e última deste ano, em 1º, 2 e 3 de dezembro, no Rio, é uma conferência mundial que reunirá mais de 30 centrais sindicais para debater o combate ao neoliberalismo.
A chegada de reforço da PM intimidou o grupo de punks e estudantes que estava concentrado em volta do espelho-dágua do Congresso.
O deputado Arlindo Chináglia (PT-SP) pediu para os manifestantes que voltassem para a frente do palanque e evitassem qualquer tipo de confronto com a polícia.
Segundo o deputado, esse tipo de manifestação esvaziaria o sentido da Marcha dos Cem Mil. Com isso, a maioria dos manifestantes deixou o gramado do Congresso e dirigiu-se ao palanque montado na Esplanada dos Ministérios.





