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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por José Ramos 
Brasília, 26 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, sugeriu, durante discurso na Esplanada dos Ministérios, que as oposições façam um ato em uma capital diferente a cada mês, para protestar contra a privatizações e contra a política econômica do governo. "Isto aqui é apenas o começo. Daqui pra frente vamos fazer como o Corinthians: arrasar cada vez mais", afirmou.
Lula disse que só tem uma discordância com Brizola, em relação a tese da renúncia do presidente Fernando Henrique, que é defendida pelo líder do PDT. "É que renúncia é um gesto de grandeza. E Fernando Henrique Cardoso não tem essa grandeza; é orgulhoso, prepotente e não quer enxergar o que está acontecendo neste país", afirmou. Dirigindo-se ao presidente, Lula disse que "se a porca entortar o rabo aqui, você corre para Paris; mas nós não temos para onde correr".
Lula ironizou o governo por ter colocado 10 mil policiais para controlar a manifestação, e disse que a polícia poderia ir almoçar, pois os manifestantes não têm interesse em destruir o patrimônio público. "Nós construímos isso tudo e logo seremos nós que estaremos administrando o País", afirmou. Ele disse que se este fosse o último movimento "até poderíamos dizer, vamos quebrar; mas nós vamos fazer muitos movimentos ainda, até tirar essa gente do poder".
Lula voltou a criticar o que considera uma submissão do País às determinações do Fundo Monetário Internacional e considerou o presidente uma marionete do fundo. Criticou ainda a política intervencionista dos Estados Unidos na Colômbia e disse que se os americanos quisessem acabar com o narcotráfico acabariam com os viciados.
Lula atacou também o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, lembrando o seu apelido de "Toninho Malvadeza" e disse que nesses 45 anos de vida política o senador trabalhou para os ricos e fazendeiros. O recente interesse do senador pelo combate a miséria, segundo Lula, ou é peso na consciência, com medo do juízo final, ou o equívoco, por não saber que o povo não quer migalha de R$ 27,00 nem cesta básica. "Quer trabalhar para viver com dignidade", afirmou.


