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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Edmilson Ferreira (especial para a AE) 
Rio Branco, 26 (AE) - O procurador Luís Francisco de Souza e a deputada estadual Naluh Gouveia (PT) serão acareados quarta-feira (01) com o ex-governador do Acre Orleir Cameli, na primeira sessão de acareações que os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara farão em Rio Branco, a partir de terça-feira (31).
Souza é o autor das primeiras denúncias relacionando o nome do ex-governador a empresas de lavagem de dinheiro sediadas em alguns municípios do Acre, em Manaus e na Colômbia. O procurador foi mandado a Rio Branco a pedido da CPI, que, a partir de terça-feira, estará por três dias instalada no Estado, preparando os processos que darão origem aos pedidos de prisão de até 30 envolvidos com o narcotráfico e grupos de extermínio.
Naluh e Souza informaram ontem que vão "ratificar" o que disseram à CPI em junho, em Brasília, quando estiverem diante do ex-governador. Na época, a deputada levou à CPI fotos de duas luxuosas lanchas de Cameli apreendidas pela Receita Federal no Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul (AC). As lanchas, segundo a Receita, eram contrabandeadas. "Vou repetir, na frente do ex-governador, que suas balsas eram enviadas a Manaus carregadas de móveis cheios de droga em fundos falsos", afirmou a deputada. Segundo ela, as balsas eram recebidas por um primo de Cameli que atuava no porto da capital amazonense.
As investigações de Souza ligam Cameli a Sâmia Haddock Lobo, também ouvida pela CPI no Congresso, e a empresas de distribuição de combustível de Manaus, supostamente de fachada, cujo objetivo é lavar o dinheiro da droga e fornecer combustível para os aviões dos traficantes.
Naluh será também acareada com dez empresários de Cruzeiro do Sul, os quais, segundo ela, enriqueceram com droga. Naluh disse que repetirá o que declarou em Brasília e na Assembléia Legislativa do Acre.
Depois de várias intimações, Cameli confirmou para a próxima semana o depoimento à CPI do Banco do Estado do Acre (Banacre), que investiga, na Assembléia Legislativa, a falência do banco acreano. O presidente da CPI, Edvaldo Magalhães, disse que o ex-governador terá de explicar o que aconteceu com o dinheiro do Fundo Previdenciário dos Servidores do Acre, uma caixa beneficente que se transformaria em pensão e aposentadoria dos funcionários públicos estaduais. O fundo, administrado pelo Banacre, foi extinto durante o governo de Cameli, que pretendia o reverter na construção de casas populares para os servidores.
As explicações dele nunca convenceram os sindicatos, que ingressaram com várias ações na Justiça pedindo a devolução do dinheiro.


