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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 25 (AE) - Bandeirola do PT no ombro e vestindo camiseta vermelha com a foto de Che Guevara, a pensionista Maria Aparecida Carvalho de Lima, de 58 anos, era uma das 4,6 mil manifestantes fluminenses a embarcar hoje para Brasília. Ela diz que está em busca de um futuro melhor para os cinco filhos e sete netos. "Eu vou numa atitude de desespero, acreditando que estou fazendo alguma coisa para diminuir a fome, a miséria", explica. "Quando olhar para o horizonte, quero poder visualizar um futuro para os meus netos".
Aparecida se diz decepcionada com o que chama de "inconsciência do povo". Ela vendeu bônus na porta de igrejas para financiar as greves no ABC paulista, no fim dos anos 70, militou em associação de moradores, participou do movimento Diretas Já, e chorou com as derrotas de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência, mas se viu sozinha com sua bandeira, em frente à Petrobrás, numa greve frustrada nos primeiros meses de 1994. Apesar das decepções, afirma ainda crer nas palavras de Guevara que enfeitam sua camiseta: "a mais importante ambição revolucionária é ver o homem se libertar de sua alienação". "A esperança só vai me largar quando eu morrer", promete.
Ela não teme possível reação da polícia durante a marcha. "Sei que não vão nos receber aos beijos e abraços, mas a militância hoje em dia até que é mais fácil", diz, referindo-se ao conforto do ônibus fretado para a viagem. "Já dormi em chão frio de praça paulista". Para não sentir a fome de outras manifestações, Aparecida preparou frango assado, arroz e farofa, que pretende dividir com os companheiros de viagem - adolescentes, na maioria. "Gosto de estar com a juventude, me sinto rejuvenescida".


