Rio, 25 (AE) - O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), disse hoje que não vai participar da Marcha dos 100 mil, marcada para amanhã (26), porque considera "antiético" negociar com o governo federal uma solução para os problemas financeiros do Estado e, no dia seguinte, aderir à caminhada exigindo a saída do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele discorda da avaliação de líderes de esquerda de que o presidente está "sem rumo".
"Se o governo federal estivesse sem rumo, eu estaria na marcha, mas não é o caso", declarou o governador. Embora considere o movimento legítimo, Lessa acredita que há uma "confusão de objetivos" para a marcha. "Falta unidade, porque uns defendem a renúncia, outros apóiam a CPI e outros querem o impeachment."
Lessa viajou hoje a Brasília para um encontro com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, com a intenção de negociar a redução da parcela mensal do pagamento da dívida de Alagoas com a União. Segundo ele, nos próximos dias o Estado tem de pagar cerca de R$ 11 milhões relativos à parcela da dívida, o que representa 20% da receita líquida de Alagoas.
"Esse valor está acima dos 15% da receita, que é o limite para o desembolso mensal e é algo insuportável para o Estado." Para Lessa, do ponto de vista institucional, sua posição é "muito desconfortável". "Como governador, tenho de ser mais cauteloso e me preocupar com meu Estado". Ele ressaltou que tem divergências com o governo Fernando Henrique, mas elas são insuficientes para exigir que o presidente seja "posto para fora do comando do País". "Estou respondendo pelo sentimento de responsabilidade de Alagoas", justificou Lessa, que, há cerca de um mês, ameaçou decretar a moratória da dívida do Estado.
O governador alagoano disse que o comando do PSB, um dos organizadores da Marcha dos 100 mil, tentou convencê-lo a participar da manifestação. Ele defendeu a posição do partido em aderir à caminhada em Brasília e disse que a prefeita de Alagoas
Kátia Born (PSB), estará na marcha.

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